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Chega de testes: Inter precisa ter sequência

leonardo-meneghetti-colunistaAcabou o período de testes. Diego Aguirre precisa definir o esquema e o time e dar padrão de jogo. Com o futebol apresentado até aqui está na cara que o Inter esbarra no primeiro time meia-boca desta Libertadores – nem precisa ser aquele Boca. Há problemas com esta impressionante troca de esquema. Há problemas nesta exagerada preservação dos titulares. E há evidentes deficiências técnicas, jogadores que não conseguem se afirmar no time nesta temporada. Então, o melhor que o uruguaio pode fazer agora é botar o time para jogar. Buscar mecânica de jogo. E trocar peças que não estiverem com rendimento suficiente. Ou seja, fazer o simples e óbvio.

O Inter já utilizou o 4-4-2, 4-2-3-1, 3-5-2 e, de fato, jogou no 3-6-1 no Equador. Esta alternância é prejudicial. Aguirre precisa definir seu esquema e até deve ter uma opção para situações emergenciais. Acertado o sistema de jogo, que se definam os titulares. E que sejam colocados para jogar. No Beira-Rio, no interior, na Libertadores. É compreensível que domingo passado alguns jogadores fossem preservados. Mas agora chega. O Inter precisa ter mecânica, azeitar o time.

Com convicção no esquema e a equipe montada, Aguirre poderá fazer alguns testes no Gauchão. Por exemplo, observar Rodrigo Dourado ao lado de Nico Freitas na equipe titular. Testar Alex na ala esquerda. Dar uma oportunidade a Paulão. Mas estas tentativas no time titular, no esquema de jogo que ele vai utilizar daqui para frente.

O uruguaio erra quando coloca o time reserva numa formação que não irá utilizar com os titulares. Então improvisa Alan Ruschel e Cláudio Winck no meio e monta o time com quatro laterais. Nestas posições eles não serão aproveitados na equipe principal. Se D’Alessandro está machucado e Alex volta de viagem, que Valdívia seja aproveitado no esquema de Aguirre: 3-5-2. Se Taiberson merece uma chance que seja na equipe principal, também no 3-5-2. Tantas mudanças de esquema e de time dificultam que os jogadores absorvam o que pretende o técnico. Um dirigente experiente ao seu lado resolveria este problema.

Desta forma, Aguirre descobriria alternativas para jogadores que estão abaixo do esperado. Réver, por exemplo, ainda não se afirmou. O bom Aránguiz também não repete grandes momentos do 1o semestre de 2014. Nilton tem errado demais. E os laterais são ineficientes no apoio e na marcação. Aguirre tem reposições. Mas as peças estão se acostumando a jogar num esquema completamente diferente. E num time também improvisado.

O presidente Vitorio Piffero parece não ter aprendido a lição de 2010. O Inter abandonou o Campeonato Brasileiro pensando no Mundial. Levou uma bangornada do Mazembe que até hoje ecoa nos corredores do Beira-Rio. No ano passado, fez esta barbeiragem na Sul-Americana e na Copa do Brasil. Para não ganhar absolutamente nada.

O trabalho deve ser alterado agora. E sem a ladainha de troca de técnico. Basta que o planejamento seja corrigido em caráter emergencial. Com mais mecânica, com mais ousadia e com o rendimento superior de algumas individualidades o time será competitivo.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band-RS. Diariamente comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV.

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