Um grupo de pesquisadores da USP e Unicamp identificaram a presença de um potente opioide nas drogas sintéticas conhecidas como “drogas k”. Conforme reportagem do G1, a substância devastadora costuma ser comercializada em São Paulo.
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Anteriormente, o mesmo grupo de pesquisadores chegou a detectar a presença de fentanil, um anestésico potente, no composto destas drogas, mas a nova descoberta pode ter ainda mais impacto, visto que o nitazeno tem ação ainda mais intensa.
Segundo Maurício Yonamine, professor de toxicologia da faculdade de ciências farmacêuticas da USP, o fentanil por si só já é 50 vezes mais forte que a heroína. Já o nitazeno é de 10 a 20 vezes mais potente do que o fentanil.
“O que a gente tem é uma droga com potencial de causar dependência muito grande e potencial de causar fatalidades também muito grande”, alerta o professor.
“Drogas K”
A descoberta vem em um momento no qual a quantidade de drogas K apreendidas aumentou significativamente, chegando a 157 quilos em 2023. Segundo o Departamento de Narcóticos do estado de São Paulo, estas drogas normalmente são manipuladas em países asiáticos e europeus, e já chegam ao país contendo o nitazeno.
Apesar de ser conhecido desde a década de 1950, o uso do composto na medicina nunca foi aprovado por conta de sua alta potência. Desta forma, pouco se sabe sobre o efeito do uso constante em seres humanos.
Um estudo publicado pela Deutsche Welle revela que ele interage com vários receptores de opioides no cérebro e no sistema nervoso, e pode chegar a causar dependência, vício, tolerância e sintomas de abstinência.
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No entanto, segundo Thiago Marques Fidalgo, professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as drogas do tipo K têm potencial de engatilhar transtornos mentais para quem tem essa predisposição.
“Podem ser o gatilho para o início de um quadro de esquizofrenia, de transtorno bipolar. Ela tem dentre os seus impactos, esse efeito de causar amento da adrenalina no corpo, que vai gerar reações de luta ou fuga. Então a gente vai ficar preparado para lutar ou fugir. E isso inclui, por exemplo, uma tensão muscular, essa coisa de ficar mais travado, pilhado, pronto para ter uma reação mais agressiva quando necessário”, explica o profissional.