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‘Instinto paterno’: Daniel Cravinhos explica os motivos de pedir perdão a Andreas Richthofen

Condenado pelo morte de Manfred von Richthofen, ex-detento vai se tornar pai em breve e diz que quer 'acolher' ex-cunhado

Daniel Bento de Paula e Silva, ex-Cravinhos, que cumpre pena em regime aberto pela morte de Manfred von Richthofen, explicou os motivos que o levaram a pedir perdão ao filho da vítima, Andreas von Richthofen, mais de 20 anos após o crime. Em uma carta aberta, o ex-detento afirmou que a “culpa continua a perturbar” e ressaltou que quer se reaproximar do ex-cunhado.

Em entrevista ao jornalista Ulisses Campbell, que assina a coluna “True Crime”, do jornal “O Globo”, Daniel revelou que vai se tornar pai em breve. A companheira dele, a maquiadora Andressa Rodrigues, está grávida de 11 semanas. Assim, com o “instinto paterno” aflorado, ele disse que ficou abalado ao ver que Andreas vive isolado, em uma chácara em situação de abandono, e acumula processos e dívidas.

“Quando estava preso, soube que ele havia estudado, se formado, até feito doutorado. Estava trabalhando e namorando. Depois, vi uma reportagem mostrando ele correndo desorientado pela rua. Isso me afetou profundamente. Me senti responsável pelo que ele está passando. Recentemente, vi na imprensa que ele largou tudo e se isolou. Por isso, quero encontrá-lo. Quero acolhê-lo”, disse Daniel na entrevista.

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Questionado sobre os motivos de não ter tentado conversar com Andreas ao longo dos anos, o ex-detento explicou que temia pela reação dele. Caso fosse denunciado pelo ex-cunhado, ele poderia perder o benefício ao regime aberto e teria que voltar à prisão.

“Esta tentativa de aproximação é muito delicada. Não sei como ele vai reagir. Logo após a tragédia, Suzane tentou um contato com o irmão e acabou sendo denunciada à polícia por ameaça. Se Andreas se sentir ameaçado por mim e me denunciar, posso perder o regime aberto e voltar à prisão. Por isso, optei por deixar minhas intenções claras e públicas. Compreendo que ele se sinta ameaçado por causa do que eu fiz com o seu pai. Não há como ignorar isso”, disse Daniel.

O condenado destacou, ainda, que se sente responsável pela atual situação de Andreas e destacou que seu objetivo é mesmo o de ajudar o rapaz.

“A maior prisão que existe é a psicológica. Estava detido em Tremembé, mas minha mente continuava livre aqui fora. Andreas está em liberdade, mas sua mente está aprisionada. Hoje, tenho maturidade e discernimento para seguir em frente. Gostaria que ele também pudesse continuar sua jornada, mesmo diante de todas as adversidades. Sinto-me profundamente mal em viver minha vida enquanto ele está estagnado por minha causa. Sinto-me moralmente obrigado a estender-lhe a mão”, ressaltou Daniel.

Carta aberta

A carta escrita por Daniel para Andreas também foi divulgada por Ulisses Campbell. Em um trecho, ele ressaltou que continua se sentindo culpado, mesmo cumprindo pena pelo crime.

Desde que saí da prisão, reconstruí minha vida, assim como Suzane, sua irmã. Aos trancos e barrancos, o Cristian também está tentando recomeçar. No entanto, a culpa continua a me perturbar. Parte de minha família me rejeita, e sinto que um dedo acusador aponta para mim constantemente, me lembrando do que fiz. Essa culpa não desaparecerá com a sentença que me condenou a 39 anos. Seguirá comigo até o fim dos meus dias”, escreveu Daniel na carta.

Em outro trecho, revelado por Campbell, o condenado afirmou que perdeu parte da vida na cadeia, mas sabe que Andreas foi o maior prejudicado com o crime.

“Saí da prisão em 2017 após perder 17 anos de minha liberdade. Mas você perdeu muito mais do que eu. Desejo compreender seu luto e fazer parte dele. Lembro do dia da reprodução simulada feita na sua casa duas semanas após o crime, quando você abraçou o Cristian e me olhou emocionado. Quando íamos nos abraçar, os policiais não deixaram. Entendi o seu gesto de carinho como um perdão. Contudo, você era apenas um adolescente. Hoje, você é um homem adulto. Gostaria de conversar contigo e expressar meus sentimentos”, ressaltou ele no texto.

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Isolamento de Andreas

Andreas von Richthofen segue vivendo sozinho, isolado, em uma chácara que era dos pais no interior de São Paulo. Recentemente, uma reportagem do jornalista Geraldo Luís, no programa “Geral do Povo”, na Rede TV!, exibiu imagens do jovem caminhando por uma calçada, após anos sem ser visto (assista abaixo).

Na ocasião, Geraldo Luís chegou a chamar por Andreas na portaria da chácara, mas não obteve respostas. Depois disso, a reportagem exibiu imagens do rapaz caminhando por uma calçada, às margens de uma rodovia. Usando roupas pretas e óculos escuros, ele carregava uma mochila.

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“Andreas precisa ser resgatado urgentemente. Ele vai morrer lá (...) magro, barbudo, largado. O menino que era o prodígio da família Richthofen, tão querido, que perdeu casas de milhões, perdeu a chance de ser um médico, hoje vive preso dentro da própria herança”, lamentou o jornalista, que ressaltou que a sua equipe vai continuar tentando contato com o rapaz para “salvá-lo”.

De herança a dívida milionária

Andreas atualmente está com 36 anos e enfrenta vários problemas judiciais. Ele não tem sido encontrado pelas autoridades para resolvê-los.

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Desde que a irmã, Suzane, passou a cumprir o regime aberto, em janeiro do ano passado, o rapaz se isolou no interior de São Paulo. Sem internet ou telefone por escolha própria, as autoridades não conseguem notificá-lo. Mesmo tendo recebido uma herança avaliada em R$ 10 milhões, ele já acumula uma dívida milionária sobre impostos dos imóveis que herdou.

Conforme revelado por Campbell, apesar de ter travado uma briga judicial com Suzane e ter ficado sozinho com bens da família, entre eles carros, terrenos e seis imóveis, Andreas acumula problemas ao longo dos anos. O rapaz é alvo de 24 ações na Justiça de São Paulo por dívidas de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e condomínios atrasados, somando débitos de aproximadamente R$ 500 mil.

Além disso, entre as dívidas está a manutenção do túmulo em que os pais estão enterrados, no Cemitério do Redentor, no Sumaré, Zona Oeste da Capital.

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Amigos do rapaz contaram ao jornalista que ele não quer vender o imóveis, pois mantê-los seria uma forma de preservar a memória dos pais. Porém, ele também não quer que Suzane tenha acesso a eles. Como não é casado e não tem filhos, a irmã seria sua única herdeira.

Desde que se refugiou em um sítio em São Roque, também herdado dos pais, durante a pandemia, Andreas manteve pouco contato com os conhecidos. Ele comprou uma outra propriedade na cidade, onde vive isolado.

Campbell destacou que, nos autos dessas ações judiciais, os procuradores do município de São Paulo afirmam que vão preparar ações para levar os imóveis de Andreas a leilão, já que ele se recusa a quitar os débitos.

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Suzane Louise Magnani Muniz, que tirou o Richthofen de seu sobrenome, se tornou mãe neste ano e vive com o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Condenada 39 anos e seis meses de prisão em regime fechado, ela está em regime aberto desde janeiro do ano passado e ainda busca reduzir a pena. Além disso, voltou a cursar Direito.

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