Ciência e Tecnologia

‘Donkey Kong Country’ foi tão revolucionário que alertou as autoridades do Reino Unido

O jogo de 1994 tinha gráficos tão poderosos que levantou suspeitas na ilha europeia

Donkey Kong Country (1994) Foto: suministrada. Imagen Por:

Em 1994, Donkey Kong Country chegou ao SNES para cativar os jogadores com seus gráficos 3D pré-renderizados, algo nunca visto em um console daquela época. Mas por trás desse feito visual sem precedentes, há uma história fascinante, cheia de inovação, supercomputadores e até um toque de espionagem.

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E criar um jogo como ‘Donkey Kong Country’ não era tarefa fácil. Os irmãos Tim e Chris Stamper, líderes da equipe da Rare, sabiam que precisavam de tecnologia de ponta para dar vida à sua visão. A solução veio na forma de Advanced Computer Modelling (ACM), uma técnica de compressão desenvolvida pela Rare especificamente para o projeto.

Para trabalhar com ACM, a Rare precisava de hardware poderoso. Então eles decidiram investir no Silicon Graphics Inc. Challenge, supercomputadores da época que pesavam quase 90 quilos, tinham 16 GB de RAM, 32 CPUs, 6,48 GFLOPS de desempenho e custavam a incrível quantia de 80 mil libras por unidade.

O trabalho com os desafios não foi simples. David Wise e Brendan Gunn, ex-membros da Rare, lembram que a renderização de cada modelo 3D levava horas. "Trabalhávamos até às 11 da noite, íamos para casa e de manhã a imagem poderia ter terminado de ser renderizada", comenta Wise. "Estas enormes máquinas demoravam tanto para fazer isso".

Apesar das dificuldades, a equipe da Rare estava determinada a alcançar seu objetivo. "Tínhamos uma unidade de ar condicionado enorme apenas para resfriar essas máquinas SGI", lembra Gunn. "Podíamos estar todos sofrendo no verão, mas contanto que o computador não superaquecesse, não importava".

Um ataque terrorista?

O poder dos desafios não passou despercebido pelas autoridades britânicas. Em uma entrevista, Steve Mayles, diretor artístico da Rare, e Kevin Bayliss, designer de personagens, revelaram que o Ministério da Defesa do Reino Unido os chamou para perguntar por que tinham tanto hardware potente e o que estavam fazendo com ele.

"Rareware tinha a maior quantidade de máquinas Silicon Graphics do mundo, depois da Boeing", explica Mayles. "Acho que recebemos uma ligação do Ministério da Defesa perguntando por que tínhamos todo aquele hardware poderoso e o que estávamos fazendo com ele."

Felizmente, as explicações da Rare foram suficientes para acalmar as suspeitas do governo britânico. Caso contrário, talvez nunca teríamos desfrutado das plataformas de Donkey Kong Country, uma obra-prima que marcou um antes e um depois na história dos videogames.

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