Profissionais de odontologia e parteiras nos EUA têm optado por cortar tecido em torno das línguas de bebês para facilitar a amamentação, em um procedimento conhecido como "tongue tie surgery."
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Enquanto alguns acreditam que é uma solução eficaz, críticos chamam a prática de "money grab" perigoso. A cirurgia, que utiliza laser para remover tecido excessivo, inicialmente era destinada a casos de defeitos reais impedindo a amamentação.
No entanto, sua popularidade cresceu nas últimas duas décadas, gerando preocupações sobre a segurança e a verdadeira necessidade do procedimento.
O aumento de cirurgias de "tongue tie" tem preocupado alguns na comunidade médica e mães, com relatos de bebês incapazes de se alimentar adequadamente após o procedimento.
Críticos argumentam que a prática, que originalmente visava solucionar problemas específicos, agora é muitas vezes usada de maneira indiscriminada, resultando em complicações sérias para alguns bebês.
Entre 1997 e 2012, o número dessas cirurgias aumentou 800%, passando de cerca de 1.280 para mais de 12.000, segundo um estudo de 2017. A busca no Google por "tongue tie" atingiu um recorde em junho, mais que dobrando nos últimos cinco anos, conforme levantou o New York Post.
Críticos apontam para uma possível motivação financeira, com dentistas lucrando entre US$600 e US$900 por cirurgia. Em uma conferência da Biolase, uma empresa que vende máquinas para o procedimento, foi revelado que os médicos precisariam realizar apenas três cirurgias por mês para cobrir os custos da máquina.
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Daniel Reche / Pexels
Preocupações com segurança
O aumento das cirurgias levou especialistas a alertar sobre diagnósticos excessivos e procedimentos desnecessários. Um painel de 16 especialistas publicou diretrizes em 2020, indicando que as cirurgias de "tongue tie" estavam sendo diagnosticadas em excesso e que liberações de "cheek-tie" simplesmente "não deveriam ser realizadas."
Alguns profissionais de saúde argumentam que a cirurgia pode causar mais problemas do que resolver, deixando bebês com dores severas e aversão oral.
Relatos de bebês perdendo a capacidade de sugar, recorrendo a tubos de alimentação e sofrendo com perda de peso significativa após a cirurgia levantam questões éticas e de segurança.
Críticos questionam o papel de consultores de lactação, dentistas e empresas que lucram com o procedimento, enquanto alguns pais compartilham experiências traumáticas e gastam milhares de dólares em terapeutas da fala para a recuperação de seus filhos.
A controvérsia em torno da cirurgia de "tongue tie" destaca a importância de uma abordagem equilibrada na medicina, garantindo que procedimentos sejam realizados apenas quando estritamente necessários e que o bem-estar dos pacientes seja a principal consideração.