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Amor perdido: 5 maneiras de seguir em frente de acordo com o Tarot

Conselhos ajudam quem precisa se desapegar de um relacionamento que terminou

Amor perdido: 5 maneiras de seguir em frente de acordo com o Tarot

É indiscutível: a maior curiosidade e a grande urgência em leituras de Tarot é o amor. Mesmo quando há pistas de que não existe afeto em uma das partes envolvidas – ou seja, o amor está perdido, o tema persiste.

Há tantos anos atuando como tarólogo, percebo que o maior agravante de uma leitura oracular se dá quando é nítido o apego a uma relação que já não existe, tendo ela acabado por bem ou por mal.

Para esses casos, tenho alguns conselhos a compartilhar. São cinco lições para refletir e colocar em prática.

Se você quiser um conselho, experimente aqui o Tarot Direto, que responde a perguntas mais específicas como “Devo investir nessa relação?” ou “Essa pessoa vai voltar para mim?”.

O primeiro passo é aceitar a dor

O afeto nos afeta. É preciso entender as emoções do consulente* para que a ajuda seja eficaz. Elas são nossas forças motivadoras, pois nos levam a reagir, aproveitar ou nos defender de determinadas situações.

Sem emoção, nenhuma relação pode ser substancial – quando a expressão dos sentimentos é boicotada ou negligenciada, elas congelam dentro de nós, voltando contra nossos próprios interesses.

Emoções acumuladas tendem a se materializar em doenças ou problemas no corpo físico, gerando ainda mais confusão e inadequação.

Por isso que o primeiro passo em relação à clareza emocional é a verdadeira aceitação da dor. Isso vale para a sensação ruim causada por um rompimento amoroso, por exemplo.

De longe uma das piores dores que o ser humano sente, a perda afetiva pode gerar problemas insolúveis a curto ou longo prazo. Prender-se a uma pessoa específica pode ser sinal tanto de que o amor não acabou quanto de apego exagerado à rotina ou aos recursos que a relação oferecia.

Por isso, para começar a superar um término afetivo ou mesmo um abandono repentino, é preciso encarar a situação sem máscaras. A realidade dói, mas é ela que tonifica a autoestima para seguir adiante na busca da pessoa ideal.

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É preciso deixar de se punir

A maioria das pessoas – você er eu estamos incluídos nessa – é educada para não aceitar suas próprias experiências emocionais. É mais fácil escondermos o que se passa conosco ou então nos criticarmos quando sentimos algo diferente do esperado.

Assim, avaliamos nossos sentimentos como certos ou errados, levando a um bloqueio interno gradativo, já que quando o abandono, a culpa, o remorso ou mesmo a saudade atacam, tememos que se trate de uma punição por não estarmos à altura de determinada pessoa ou situação.

Então começa uma luta desesperada dentro de nós, como se algo estivesse errado com a vida, com a pessoa amada ou com o nosso coração. Mas é deixando de fugir das situações que elas podem mudar de forma e intensidade. Parar de lamentar o que nos acontece é um diferencial importante para haver melhora e solução.

Quando um deixa de amar, dois não existem mais

Ele(a) vai voltar pra mim? É esta a pergunta clássica que todo tarólogo ouve ao menos uma vez na vida. E a resposta, na maioria das vezes, é um “não” disfarçado de esperanças e idiossincrasias.

Lidar com o apego emocional pressupõe reconhecer a dor que ele causa – o primeiro passo no trajeto da recuperação da autoestima. Sim, dói pensar e esperar pela pessoa que partiu e não vai voltar, daí a procura incessante aos oráculos que atravessa os tempos.

Mas ao deixar de se culpar pela perda amorosa, a pessoa tende a começar a entender que não é o fim do mundo e da vida, por mais promissora que parecesse a relação.

Quando um deixa de amar, dois não existem mais. Esse novo ditado indica que o apego ao que terminou é um indício claro de que não aceitamos a liberdade de escolha da outra pessoa, mesmo sendo ela injusta aos nossos olhos.

Um rompimento abrupto pode dilacerar um coração e traumatizar alguém frente às possibilidades futuras de envolvimento amoroso, mas nem por isso é motivo para justificar uma postura irredutível, rancorosa e insistente.

É comum teimar em querer reconquistar a pessoa que abandona, como se houvesse uma chance para resgatar um sentimento que na verdade deve ser libertado para se dissolver com o tempo.

É crucial perceber que nem sempre é possível mudar as decisões de uma pessoa. Teimar em recuperar um relacionamento pode dar certo para a pessoa interessada, mas para quem rompeu pode ser um problema que desencadeia ofensa, ódio e até aversão.

Assim, a dificuldade de aceitar a posição do outro acentua o sentimento de rejeição, causando ainda mais dor e revelando o ódio – a contraparte do que se sentia até então.

Enxergar-se para transcender as expectativas

Para lidar com o amor que não é mais correspondido, é preciso se distrair. Sim, tentar sair do círculo massacrante das lembranças e das esperanças que machucam ainda mais. Esperar pela pessoa amada, a mesma pessoa que pode ter abandonado ou não ter dado mais notícias depois de um período tão bom, é o mesmo que intensificar a própria carência. A pessoa que depende de outra para se sentir viva é exatamente aquela que não sabe viver consigo própria, precisando de companhia para não se assombrar com os próprios problemas.

A pessoa que depende de outra para se sentir viva é exatamente aquela que não sabe viver consigo própria, precisando de companhia para não se assombrar com os próprios problemas.

Primeiro é preciso tomar consciência de que ninguém pode fazer alguém cem por cento feliz. A “felicidade eterna com a pessoa perfeita” é um dos mitos que merecem ser derrubados o quanto antes. Deixar de ter expectativas exageradas pressupõe entender que o relacionamento rompido foi bom enquanto durou – deu certo enquanto houve amor correspondido de ambos os lados. Assim, levando a vida e a situação às claras, é possível perceber que a ansiedade para recuperar o que se perdeu é uma postura medrosa diante do desconhecido, que na maioria das vezes surpreende positivamente. Refletir sobre o que realmente queremos da pessoa que foi embora é outro passo importante para definir nossas atitudes diante da dor.

Uma boa dose de autoestima

Em muitos casos, o apego ao que terminou está relacionado a um forte ideal de reconquista ou então de vingança, por menos que se queira mal quem nos fez mal. Mas para recuperar a energia e a motivação para viver com paz e amor verdadeiro, é necessário nos darmos conta de que a obsessão por alguém é um sinal de baixa autoestima.

para recuperar a energia e a motivação para viver com paz e amor verdadeiro, é necessário nos darmos conta de que a obsessão por alguém é um sinal de baixa autoestima.

A pessoa que chega ao ponto de se rebaixar por outra está nitidamente bem distante de si própria, anulando sua própria força. Seja por afeto verdadeiro, por hábito ao que se perdeu ou mesmo por medo do futuro, o apego emocional é também um sinal de egoísmo e despreparo para lidar com o próprio amor. Diante da indignação emocional, o importante é que é possível sair do estado de pura tristeza e assumir uma postura tranquila em relação ao que virá. Nenhuma dor dura para sempre. Além do mais, o futuro tende a ser melhor do que pensamos. Por isso é bom levar em conta que a autoestima define o nosso destino. O grau de coragem e de aceitação da vida reconfigura o caminho escolhido e também as circunstâncias impostas. Mas a dor de um amor perdido pode durar por muito tempo se não colocamos um fim nele. Uma postura aberta ao novo é essencial para atrair relações mais serenas e sensatas. Por isso é imprescindível respeitarmos nossos limites e nossas necessidades. Quando aprendermos a medir palavras e atitudes, será possível revitalizar o coração com frequência e excelência.

* O termo consulente vem do latim consulens: “aquele que consulta”.

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Leo Chioda

Leo Chioda é escritor e um dos principais tarólogos em atividade no Brasil. Graduado em Letras pela UNESP, atualmente desenvolve uma tese sobre poesia e alquimia na USP. Assina o blog e as redes sociais do Café Tarot desde 2006, onde publica associações entre os arcanos e a cultura popular, a literatura, a música e o cinema.

l.chioda@personare.com.br

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