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Estilo de Vida 05/11/2020

Flexibilização: saiba quais são as atividades mais indicadas para as crianças

Começar a sair de casa pode ajudar na saúde mental da criança e da família. Especialistas comentam quais passeios podem ser feitos com maior segurança

Com a reabertura de shoppings, parques e escolas, muitos pais desejam poder sair de casa com os filhos ainda que para pequenos passeios. Mas, se por um lado, a falta de convívio social tem provocado mudancas de comportamento nas crianças, deixando-as tristes ou irritadas, sendo um motivo para reduzir o confinamento, por outro, há o receio de contaminação pelo coronavírus. Como garantir o equilíbrio e fazer uma flexibilização com segurança?

Para Patrícia Nolêto, psicóloga infantil e colunista da Canguru News, ainda que existam riscos, sair de casa pode ser muito bom para o estado emocional das crianças. “Elas perderam a referência de pertencimento, não têm mais a escola, o futebol, a turminha da pracinha. É como se o mundinho delas tivesse desaparecido”, explica.

Para saber se a criança não está bem, a psicóloga orienta a observar se há sinais de mudança no filho, como alteração do sono, humor ou apetite. “Ele pode, por exemplo, não se interessar por brincadeiras que sempre gostou, ficar mais tempo no quarto, ficar grudada nos adultos, ou pode ter mais medo, irritabilidade, tristeza. É importante comparar a criança com ela mesma antes desse isolamento acontecer.”

Patrícia avalia que planejar passeios ao ar livre pode colaborar para a retomada dessa sensação de pertencimento. Ela sugere priorizar as atividades que reconectem a criança com a vida que ela tinha como referência. “Se vocês costumavam andar de bicicleta em parques no final de semana, volte a frequentar o parque. Se ela fazia natação e vocês se sentirem seguros para isso, volte para a natação. Escolha atividades ao ar livre, como um piquenique, uma caminhada”, aponta, salientando a importância de manter a atividade segura.

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Outra questão também é importante: antes de decidir pela flexibilização ou não, a realidade da família deve ser avaliada. “Se é uma casa onde tem idosos ou alguém do grupo de risco, as escolhas de onde e como flexibilizar precisam estar pautadas nisso também. Não adianta liberar a criança e outra parte da família se sentir vulnerável, insegura, ansiosa”, afirma a psicóloga.

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Quais são os ambientes com menos riscos de contaminação

A infectologista infantil Daniela Caldas complementa que é importante analisar as chances de contaminação no ambiente em que a criança está sendo exposta. Locais fechados e com muitas superfícies de contato, como shoppings, lojas e restaurantes, por exemplo, aumentam o risco de contágio. “O que me preocupa de levar crianças no shopping é porque são tantos estímulos, tantas pessoas ao redor, que você tem muitas variáveis para controlar”, relata Daniela.

Quando você está, por exemplo, em uma quadra, só com uma ou duas crianças e uma bola, são poucas variáveis, sendo mais seguro, pois há poucos locais de contato para a crianças se expor”, explica a infectologista.

Ela diz que o ideal é escolher atividades que as crianças consigam ficar de máscara (sem tocá-la com frequência), em um ambiente aberto e ventilado e com poucas superfícies de contato. A seguir, a infectologista detalha as atividades e brincadeiras que podem ser feitas com crianças com menos risco de contrair o coronavírus.

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Brincadeiras que mantenham a distância

Aquelas que oferecem menos contato com outras pessoas e possam ser feitas com uma certa distância são as mais indicadas. Por exemplo, jogos com bolas, desde que ela fique no chão, em quadras abertas. “Quanto tenho contato com o pé, por mais que ele se contamine, ele não leva a contaminação para minha mucosa, que é onde o vírus é capaz de nos infectar”, explica. Ao brincar de futebol, por exemplo, o adulto pode ficar no gol, já que tem mais controle para não encostar a mão no rosto.

Também é interessante, segundo Daniela, pensar em brincadeiras que não exijam troca de objetos, como é o caso de dados em jogos de tabuleiro ou controles de videogame. Isso porque, se uma das crianças encosta com a mão contaminada e passa o item para outra, o risco de contágio aumenta.

“Se eu for fazer uma atividade dentro de casa, tentar fazer algum tipo de brincadeira que elas não troquem o objeto o tempo todo. No caso de crianças maiores, adedanha (ou Stop) é uma possibilidade, em que cada um senta no seu espaço, pegam sua folha de papel, seu lápis e podem ficar de máscara”, explica.

Contato com poucas crianças

A saudade dos amigos da escola e do parquinho deve ser grande, mas ainda não é possível encontrar todos eles de uma vez. Para ter um maior controle e conseguir fazer a flexibilização com segurança é válido sair sempre com as mesmas pessoas. “Uma família vai ter que confiar na outra, porque se o pai de uma não está seguindo o isolamento e leva o vírus para dentro de casa, o filho dele pode levar para o coleguinha. Então, tem que ser famílias que estejam vivenciando o momento de flexibilização de uma maneira semelhante, mais parecida possível, para ficar até coerente esse processo de flexibilização e de encontro”, exemplifica.

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O que não é indicado nesse momento

Segundo Daniela, evitar lugares fechados e com muitas superfícies de contaminação é o mais ideal. Além dos shoppings, que já foram citados, a médica também cita supermercados e restaurantes, já que é difícil controlar o contato com as superfícies e a mão levada à boca, por exemplo.

“Para a gente, que é adulto, às vezes já é difícil esse controle, porque ficamos sem máscara, conversando, comendo, levando a mão na boca, que aumenta a chance de infecção. Para uma criança, é ainda mais complicado. Então, no meu entendimento, são locais que as crianças ainda não devam frequentar nesse momento“, finaliza.

Além de todo o cuidado prático necessário para evitar o contágio e disseminação do coronavírus, Patrícia chama atenção para outro ponto: “O papel dos pais é ser coerente!”.

Por exemplo, não aceitar uma flexibilização para crianças mas realizá-la para os adultos da casa pode levar a uma frustração dos pequenos, que veem os pais saindo enquanto ficam em casa. Além disso, os pais precisam dar exemplo dos cumprimentos de regras e comportamentos seguros nesse momento.

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