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Idosa passou 72 anos trabalhando em condições análogas à escravidão

A mulher, que nunca casou ou teve filhos, não recebia salário ou benefícios do empregador

Uma idosa resgatada no Rio de Janeiro passou 72 anos de sua vida trabalhando para a mesma família, sem receber salário ou benefícios, em condições análogas à escravidão, segundo o Ministério do Trabalho.

A idosa, que não teve a identidade revelada, nunca se casou, não teve filhos e perdeu o contato com todos os seus familiares. Ela trabalhava como cuidadora da dona da casa e dormia no sofá da entrada do quarto, na zona norte do Rio de Janeiro.

Ela foi resgatada há dois meses após denúncia anônima feita ao Ministério do Trabalho. Segundo o auditor fiscal do trabalho que atendeu o caso, os empregadores alegavam que a idosa era da família, o que não era verdade, e ela era totalmente submissa. O empregador respondia por ela sempre que ela era questionada e ele também tinha posse dos documentos pessoais dela.

A mulher está agora aos cuidados da Prefeitura do Rio, em um centro de acolhimento para idosos. De acordo com a assistente social que cuida do caso dela, a idosa ainda não entendeu o ocorrido. “Ela não tem a noção que ela foi escravizada. Ela não tem noção alguma disso”, afirmou Cristiane Lessa, diretora do centro de recepção de idosos onde a mulher está abrigada.

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A exploração do trabalho escravo é crime previsto em lei do artigo 149 do Código Penal, cuja pena varia de dois a oito anos de prisão. O empregador terá ainda que pagar todos os direitos sonegados do trabalhador, além de indenizações por dano moral.

De acordo com o Ministério do Trabalho, somente no ano passado foram resgatados 1.937 brasileiros que trabalhavam em condições análogas à escravidão, o maior número registrado desde 2013.

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