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Sobreviventes falam sobre tragédia em Capitólio: ‘Nascemos de novo’

Acidente deixou dez mortos e 32 feridos em Minas Gerais

Sobreviventes da tragédia em Capitólio (MG), onde uma rocha se desprendeu de um paredão e caiu sobre lanchas matando dez turistas, falam com alívio sobre o acidente, ocorrido no último sábado (8). Um deles, o jornalista Alexandre Campello, editor da TV Assembleia de Minas Gerais, relatou que ele e os familiares “nasceram de novo”.

O jornalista, que estava em uma das lanchas atingidas com a esposa, Ana Martins, os dois filhos pequenos, sobrinhos e outros parentes, quebrou as duas pernas e clavículas. Ele ficou hospitalizado e recebeu alta no domingo (9), quando usou as redes sociais para falar sobre o caso.

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“Passando para agradecer todas as orações e palavras de carinho diante da tragédia que vivenciamos em Capitólio. Graças a Deus, passado o susto e o devido atendimento de emergência, posso dizer que estamos todos bem. Apesar das fraturas, nenhum de nós teve sequela mais grave. Nascemos de novo pelas mãos de Deus. Muito obrigado a todos”, publicou na rede social.

Alexandre e os familiares, que moram em Belo Horizonte, devem voltar para casa ainda nesta segunda-feira (10).

Outro sobrevivente do acidente é o marinheiro Ederson de Oliveira, que estava muito próximo à rocha que desabou. Em entrevista ao jornal O Globo, ele disse ter estranhado a quantidade de pedras que caíram da rachadura do paredão e, por isso, decidiu afastar a lancha que pilotava, escapando por pouco.

“Fui um dos primeiros a chegar no local e fui tirar foto do pessoal [que estava na lancha], todos querem imagem com a cachoeira de fundo. Aí escutei uma pedra caindo e pensei: como está chovendo muito, um pedaço é normal. Mas vi que na fenda, na trinca, caíam muitas outras, não era normal. Decidi então me afastar e avisei a um fiscal que estava no local para alertar as outras embarcações”, conta.

Ederson conta que ainda que conseguiu ver o momento exato em que a pedra caiu por cima de outra lancha. “Achei que a rocha ia cair como se fosse a demolição de um prédio. Depois vi, pelas imagens, que o apoio da pedra estava deslocado. Se imaginássemos que fosse cair para frente teríamos ficado ainda mais longe do que a distância de 30 a 40 metros de onde vimos o desastre”, lembra.

Já Isabel Martins da Costa, que também estava em uma lancha no local e sobreviveu ao acidente, contou em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que se sente aliviada.

“É um alívio mesmo, uma sensação de pertencimento, das pessoas te esperando, todo mundo se importando”, relatou ela, que levou mais de 200 pontos na cabeça.

Irmã de Isabel, Ana Costa também ficou ferida na tragédia e lembra que percebeu o momento em que a rocha se desprendeu do paredão.

“Eu lembro que vi a rocha caindo, vindo uma onda preta em cima do barco. A gente afundou, mergulhou e nessa hora eu falei: ‘eu vou morrer’”, desabafou Ana, que também ficou ferida.

O acidente

A tragédia aconteceu no último sábado. Um grupo de turistas que estava no lago notou quando as pedras começaram a cair e tentou avisar as lanchas que estavam próximas ao paredão, mas foi tudo muito rápido e não houve tempo para fugir do local. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram como foi o acidente.

Dez pessoas morreram no acidente e todas já foram identificadas. Elas eram familiares e amigos e estavam hospedados em um rancho em São José da Barra (MG). O dono da pousada era proprietário da lancha, chamada de “Jesus”, e também era parente das vítimas. Já o piloto, que também morreu, era funcionário.

Além das vítimas fatais, 32 pessoas ficaram feridas, sendo a maioria com leões leves. Elas foram socorridas e a maioria já liberadas de hospitais da região.

O Corpo de Bombeiros informou nesta manhã que buscas continuam em andamento, sem previsão de término.

Investigação

O sargento da Defesa Civil de Minas Gerais Wander Silva informou que a apuração sobre a falta de fiscalização e de medidas de segurança, que poderiam ter prevenido a tragédia, será discutida na investigação do inquérito aberto pela Marinha.

“Este não é o momento [de discutir isso]. Estamos concentrados nas buscas, e essas responsabilidades, no decorrer do inquérito, serão apuradas. Isso será verificado posteriormente”, argumentou.

Cerca de duas horas antes da tragédia, a Defesa Civil mineira emitiu um alerta de cabeça d´água (forte enxurrada em rios provocada por chuvas) para a região de Capitólio, mas os passeios turísticos continuaram normalmente.

Ainda não se sabe o que provocou o acidente. Além da Polícia Civil, a Marinha informou que um inquérito será instaurado para apurar as causas do deslizamento.

No domingo (9), o prefeito de Capitólio, Cristiano Geraldo da Silva (Progressista), anunciou o fechamento do turismo aquático na cidade.

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