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Ginecologista suspeito por crimes sexuais contra pacientes volta a ser preso em Goiás

Novas denúncias feitas por vítimas de Abadiânia motivaram um novo pedido de prisão preventiva

O ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, suspeito de praticar crimes sexuais durante consultas em Anápolis, em Goiás, voltou a ser preso nesta sexta-feira (8). Segundo a Polícia Civil, desta vez a detenção ocorreu após denúncias feitas por vítimas na cidade de Abadiânia, que fica no Entorno do Distrito Federal.

A delegada Isabella Joy, responsável pelas investigações na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), explicou que a força-tarefa, que já recebeu mais de 50 denúncias contra o médico, também recebeu relatos de três vítimas de Abadiânia. O caso foi repassado para a delegacia da cidade, que entrou com um pedido de prisão preventiva, o que foi aceito pela Justiça.

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Morais, que havia sido preso no dia 29 de setembro e solto no último dia 4 após audiência de custódia, foi novamente detido e levado para Abadiânia para prestar depoimento. Em seguida, ele deve ser transferido para o Núcleo de Custódia em Aparecida de Goiânia.

A defesa do ginecologista não foi localizada para comentar o caso até a publicação desta reportagem. Anteriormente, porém, o advogado destacou que Morais não cometeu nenhum abuso, agindo dentro dos procedimentos da medicina.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) já havia recorrido da decisão judicial que soltou o ginecologista, mas o pedido ainda era analisado pelo Poder Judiciário. O órgão diz que a manutenção da prisão visa garantir a ordem pública, além de assegurar que as vítimas que o denunciaram não venham a sofrer nenhum tipo de intimidação.

Interdição do registro profissional

Morais teve o registro profissional de médico interditado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) até a conclusão de um processo ético-profissional. Com isso, ele está proibido de exercer a medicina temporariamente.

Segundo o Cremego, a interdição ocorreu na terça-feira (5) durante uma reunião do conselho, porém, o ginecologista foi oficialmente comunicado na noite de quarta-feira (6). O órgão ressalta que a interdição é válida por seis meses, mas pode ser prorrogada por mais seis ou revogada a qualquer momento.

‘Brincadeiras’

Em entrevista à TV Anhanguera, em Goiânia, o ginecologista negou que tenha cometido os abusos e afirmou que apenas “brincava” com as pacientes. “Muitas vezes, elas falam, ‘olha, doutor, eu fiz alguma coisa assim, será que vai acontecer alguma coisa?’. Um erro meu, concordo, brinco no WhatsApp, comento alguma coisa de uma forma inadequada. Concordo que eu fiz isso, nisso eu estou errado”, admitiu o médico.

Apesar das alegações de Morais, a Polícia Civil diz que ele tirava fotos das partes íntimas das mulheres que atendia. Segundo a delegada Isabella Joy, há relatos de várias vítimas quanto à prática. O ginecologista falava que o intuito das imagens era mostrá-las para as pacientes, que pediam que ele as apagasse depois. Não se sabe, porém, se ele de fato as deletava.

Ainda de acordo com a polícia, o médico é investigado por importunação sexual, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. Segundo a Deam, o médico já foi condenado pelo mesmo crime no Distrito Federal, em 2019. Na ocasião, por ser réu primário, não foi preso. Antes disso, ele também foi denunciado no Paraná, mas o caso foi arquivado em 2018.

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