logo
Foco
Manifestantes não ocuparam mais do que três quarteirões da avenida Paulista, na região central de São Paulo / Eduardo Knapp/FolhapressManifestantes não ocuparam mais do que três quarteirões
da avenida Paulista, na região central de São Paulo / Eduardo Knapp/Folhapress
Foco 13/09/2021

Com menor adesão, manifestantes voltam às ruas contra Bolsonaro

Por : André Vieira - Metro

Política. Grupos e lideranças da direita e da esquerda se uniram pela primeira vez em um mesmo ato e levantaram a bandeira do impeachment do presidente. Mobilizações ocorreram em ao menos 12 capitais, mas com adesão menor se comparada aos atos pró-governo do 7 de Setembro


QUER RECEBER A EDIÇÃO DIGITAL DO METRO JORNAL TODAS AS MANHÃS POR E-MAIL? É DE GRAÇA! BASTA SE INSCREVER AQUI.


Cinco dias depois dos protestos do 7 de Setembro, manifestantes contrários a Jair Bolsonaro voltaram às ruas do país ontem em uma nova onda de mobilizações contra o governo. Pela primeira vez, os atos uniram grupos politicamente opostos, mas que compartilham da rejeição ao presidente e da defesa de seu impeachment. A adesão, porém, foi baixa.

As manifestações foram convocadas por entidades como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra Rua, que são ligadas à direta e anos atrás lideraram os protestos pelo saída da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Também participaram dos atos grupos ligados à esquerda, como o PDT do pré-candidato à Presidência Ciro Gomes, a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

Governador de São Paulo e também postulante ao cargo de presidente nas eleições do ano que vem, João Doria (PSDB) discursou na avenida Paulista, em São Paulo. Os palanques pelo país também foram divididos por políticos de partidos diversos, como MDB, DEM, PCdoB, Novo, Cidadania, Patriota, Rede, PSL e PSOL.

Embora seja oposição ao governo, o PT não aderiu aos atos, mesmo depois que os organizadores abandonaram o lema inicial: “nem Bolsonaro nem Lula”. Na avenida Paulista, um imenso boneco inflável mostrava os dois personagens unidos: o primeiro com camisa de força e o segundo, de presidiário.

Nas ruas

Os protestos de ontem foram realizados em ao menos 12 capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. A adesão foi considerada baixa na comparação com os atos pró-governo do 7 de Setembro, que levaram às ruas os apoiadores de Bolsonaro – e também seus opositores, em menor escala.

Entre as palavras de ordem, os manifestantes gritaram pelo impeachment do presidente, defenderam a democracia, protestaram contra o aumento de preços e também pediram a formação de uma terceira via para as eleições de 2022.

Os políticos dos diversos partidos exaltaram que o momento é de deixar em segundo plano as diferenças ideológicas e aglutinar forças pela pauta que os une: a oposição a Jair Bolsonaro.

Os protestos de ontem também podem ser considerados uma primeira tentativa de formar uma frente ampla contra o presidente, ainda que a oposição demonstre ter muitos rachas, o que ajuda a explicar a baixa adesão popular.

“Todo começo tem dificuldades. Isto aqui é um começo”, disse Doria. “O que nos reúne é o que deve unir toda sociedade civicamente sadia, é a ameaça da morte da democracia e do poder da nação brasileira”, afirmou Ciro. Os dois dividiram o mesmo palanque na avenida Paulista, que também reuniu outros presidenciáveis que buscam ser a terceira via, como Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).