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Da esquerda para a direita: Pfizer, AstraZeneca e CoronaVac / FolhapressDa esquerda para a direita: Pfizer, AstraZeneca e CoronaVac / Folhapress
Foco 13/09/2021

Impasse sobre vacina da terceira dose chega aos municípios de São Paulo

Por : Metro com Estadão Conteúdo

Covid-19. Enquanto o governo de São Paulo defende a CoronaVac, o imunizante não está nos planos do Ministério da Saúde. Cidades paralisam dose de reforço a espera de uma definição


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Ao menos nove municípios de São Paulo suspenderam a vacinação da terceira dose em idosos e imunossoprimidos até pelo menos quarta-feira, quando o Ministério da Saúde promete entregar mais unidades da Pfizer e iniciar a aplicação da dose de reforço em todo o Brasil.

A decisão das cidades de Taboão da Serra, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Embu Guaçu, Cotia, Vargem Grande Paulista e Araras vem na esteira do impasse sobre qual vacina utilizar para a terceira dose.

Enquanto o governo de São Paulo defende o uso de qualquer imunizante disponível, incluindo a CoronaVac, outros especialistas e o Ministério da Saúde descartam a vacina nesta etapa de imunização e devem focar nas doses da Pfizer, AstraZeneca e Janssen.

Em São Paulo, a campanha da dose de reforço começou no dia 6. Até o momento, 99% das aplicações foram feitas com a CoronaVac. O infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e ex-membro do Centro de Contingência contra a Covid de São Paulo, aponta que oferecer a vacina do Butantan como terceira dose para os idosos não é uma boa estratégia. “A dose de reforço com a Coronavac pode ser aplicada em profissionais da saúde jovens, mas não nos grupos de risco. Os idosos estão mais vulneráveis atualmente e continuarão assim se usarmos a CoronaVac no reforço.”

Para fins de comparação, o infectologista afirma que estudos em pré-print, ainda não revisados por pares, mostram que a terceira dose da CoronaVac aumenta em dez vezes a proteção contra a covid-19. Com a vacina da Pfizer, a eficácia cresce entre 100 e 1.000 vezes.

Já a diretora clínica do Hospital das Clínicas e integrante do Centro de Contingência contra a Covid de São Paulo, Eloisa Bonfá, disse que a terceira dose seria “muito bem vinda” e “representa um cuidado extra”. “Vale a pena fazer com a vacina disponível, que já se mostrou efetiva. É um time que está ganhando”, afirmou. “A falta de evidência não pode ser usada como evidência a favor ou contra.”

Secretário Estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, também defende a CoronaVac como dose de reforço. “Todas as vacinas dadas na segunda e terceira dose incrementam a chamada memória imunológica. É isso que precisamos fazer, especialmente com idosos e imunodeprimidos, que tendem a diminuir o número de anticorpos ao longo de seis a oito meses”, explicou.