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Foco 10/09/2021

Aumento dos preços é o maior em 21 anos

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto avançou 0,87%, o maior valor para o mês desde 2000, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pressão sobre os preços, que no ano passado se concentrava na alimentação, aparece neste ano em praticamente todas as categorias. Subiram os valores principalmente dos combustíveis (1,46%), vilões do bolso no mês passado. “O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes nas refinarias, de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%”, disse o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida. 

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Mas também tiveram altas consideráveis os alimentos (1,39%), impactados pelas geadas, o botijão de gás (2,40%) e a energia elétrica (1,10%) – ainda sem os reflexos do reajuste de quase 7% para setembro. Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram. A única exceção foi saúde e cuidados pessoais (-0,04%).

No ano, a inflação já alcança 5,67% e, para o acumulado dos 12 meses, a soma em agosto é de 9,68%. Apesar de menor que a de julho (0,96%), a taxa do mês passado surpreendeu. A Ativa Investimentos esperava avanço médio de 0,71% e revisou sua expectativa para o ano ontem de 7,5% para 8,2%. A meta buscada pelo Banco Central é 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

“Apesar de a surpresa ter sido em itens pouco sensíveis às políticas monetárias e afins, impulsionados por problemas climáticos e geopolíticos, a dinâmica inflacionária não permite que surpresas sejam sistematicamente altistas, em função do alto patamar”, disse o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sachez.

O clima político instável, acentuado com as falas do presidente Jair Bolsonaro contra o STF (Supremo Tribunal Federal) em atos no 7 de setembro, piorou ainda mais as perspectivas da inflação, analisa o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Josilmar Cordenonssi. 

Um dia após os protestos, o dólar comercial subiu quase 3% e voltou a custar
R$ 5,32. Ontem, a moeda americana apresentava recuperação, chegando a R$ 5,22. “O dólar mais alto tem impacto no preços dos produtos para o mercado interno brasileiro. Talvez não haja comprometimento rápido mas, se o cenário piorar, haverá reajustes ao consumidor. Mesmo medidas do Banco Central nos juros para barrar a inflação têm impacto apenas após seis a nove meses. O que ajudaria seria o presidente ser mais comedido e resolver os problemas reais”, afirmou o professor.