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Foco 09/09/2021

Bolsa e dólar têm reação ruim a falas de Bolsonaro

Por : Vanessa Selicani - Metro

O dia seguinte após os atos de 7 de setembro foi indigesto para o mercado brasileiro. O agravamento da crise política vivida pelo Brasil com as falas do presidente da República, Jair Bolsonaro, avisando que não respeitará decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), aumentou o clima de desconfiança entre investidores. O resultado foi a Bolsa de Valores, a B3, caindo quase 4% e o dólar subindo 2,84% e voltando a casa dos R$ 5,30.

“A imagem do país já não é boa. Os últimos eventos criam mais preocupações para as matrizes. Queria deixar a mensagem de preocupação do setor automotivo pelo atual momento do ponto de vista econômico e das consequências dessa instabilidade política e institucional.” 

Luiz Moraes, presidente da Anfavea

No começo do dia, o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, reforçou a desconfiança do mercado ao afirmar que o clima instável pode comprometer investimentos das montadoras. “Sempre que vamos discutir com as matrizes, a primeira parte das reuniões é sobre a situação política e econômica do país. Disputamos espaço com países com melhores condições de receber investimentos e com ambiente institucional estável”, disse durante apresentação de dados do setor.

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Para a Diagrama Investimentos, pesou ontem na queda da Bolsa a sinalização de que as reformas (administrativas e tributárias) estão em segundo plano. “As falas do presidente contra os ministros do STF ocasionaram reações indiretas para a Bolsa de Valores, sendo que a principal foi o cancelamento de todas as votações que estariam em pauta hoje [ontem] no Senado”, diz em análise.

O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Josilmar Cordenonssi explica que a crise política afasta investidores, que preferem ativos de países mais estáveis para afastar risco de perder dinheiro. “O segundo ponto é que o mercado percebeu que daqui para frente não sairá nada mais de relevante sobre as reformas. Além disso, o cenário  pode piorar ainda mais com incertezas de um impeachment.” 

Para o professor, pode haver reflexos na inflação caso o  dólar continue a subir. “Produtos como a farinha, por exemplo, que são importados, ficam mais caros e encarecem o pão. Também abre espaço para produtores brasileiros priorizarem as exportações.”

Caminhoneiros bloqueiam estradas em oito estados

A Polícia Rodoviária Federal informou ontem que caminhoneiros bloqueavam trechos de rodovias em oito estados, com a maior parte concentrada em Santa Catarina. Em São Paulo, o órgão monitorava a movimentação da via Dutra. Cerca de 100 caminhões ainda eram vistos também na Esplanada dos Ministérios (DF), auxiliando grupos pró-governo que protestavam no local. 

O Ministério de Infraestrutura informou que os atos não são organizados por entidades setoriais do transporte rodoviário de cargas e que a composição das mobilizações é heterogênea. Associações do setor temem que o prolongamento dos bloqueios interrompa o abastecimento de combustível para estados como Santa Catarina e Mato Grosso.

Processo

O CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), entidade que reúne associações de caminhoneiros, entrou com ação civil pública contra a União, o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores por conta das manifestações de 7 de setembro.

A entidade argumenta que a base bolsonarista usou a categoria para angariar apoio político aos atos. A entidade pede indenização de R$ 50 milhões por danos patrimoniais, extrapatrimoniais e morais coletivos.

“Apoiadores políticos envolveram a classe dos caminhoneiros na pseudo-paralisação sem qualquer pauta jurídica por direitos, como se fossem os responsáveis por atos vistos por grande parte do mundo como antidemocráticos. A circunstância afeta a imagem da categoria”, declarou o CNTRC.