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Curtas experiências profissionais ‘pegam mal’ no currículo? Saiba o que dizem especialistas em RH

Deve-se omitir a curta passagem em uma empresa ou a verdade sempre é a melhor saída? A gente te conta!

Talvez você já tenha sido contratado e percebido rapidamente que aquela empresa não tinha nada a ver com você. Ou, quem sabe, recebeu uma proposta irrecusável de outra companhia após poucas semanas ou meses em um novo desafio. Acontece. Mas aí surge a dúvida cruel: vale a pena colocar curtas experiências no currículo ou seria melhor fingir que elas nunca existiram?

«Não há problema em incluir as passagens breves, mas caso isso seja algo frequente em sua carreira, provavelmente chamará a atenção do recrutador», alerta Bruna Guimarães, COO (Chief Operating Officer ou Diretora de Operações, em português) e cofundadora da Gupy, empresa especializada em soluções de recrutamento.

Bruna afirma que é sempre importante refletir sobre as experiências profissionais e como foi cada uma delas antes de mencioná-las. Dúvidas por parte dos selecionares poderão surgir, e o candidato deverá esclarecê-las com o máximo de transparência.

Honestidade, aliás, é um ponto ressaltado por Juliana França, gerente sênior da Page Personnel e Michael Page, também da área de RH (Recursos Humanos). Omitir experiências pode fazer com que aquele que almeja uma nova posição seja, no futuro, «pego na mentira» – o que será infinitamente pior. «Ver na carteira de trabalho uma experiência que não constava no currículo pode parecer que a pessoa tentou escondê-la por algum motivo.»

Aos olhos do recrutador

Mas afinal: como o RH enxerga as curtas passagens empresariais? Juliana é categórica ao dizer que não «pegam bem» e ponto. «A sensação que nos dá é a seguinte: ‘se essa pessoa saiu em um mês da empresa X, o que me garante ela não vai fazer o mesmo comigo?'», aponta «Pode parecer falta de resiliência e comprometimento.»

Isso não significa, porém, que o funcionário precisa permanecer em um lugar que não gosta, onde pode não estar sendo bem tratado. «Ao mesmo tempo, pensar antes de sair de uma empresa é importante para não ter que ficar o resto da vida explicando esse tipo de experiência», explica a gerente.

A reflexão, aliás, deve ser feita antes de se aceitar um novo cargo. Segundo Juliana, o ideal é pensar duas, três vezes antes de se candidatar a uma vaga. Pesquisa e coleta de informações sobre a companhia, seus valores e cultura são fundamentais e evitam frustrações para ambas as partes.

Currículo vivo

É importante que o currículo seja atualizado constantemente com novas informações. Conforme o profissional desenvolve a sua carreira, porém, algumas experiências profissionais já não representam a fase em que ele está, inclusive, muitas vezes, já não são na mesma área de atuação, como bem lembra Bruna.

Nesse contexto, tornar o currículo mais enxuto é uma alternativa, segundo a COO da Gupy. «Não há problema em tirar algumas experiências do CV, especialmente aquelas que não representam o momento que você está vivendo hoje e seus atuais objetivos. No entanto, caso as últimas experiências tenham sido passagens curtas na sua área de atuação, não é aconselhável omiti-las, já que assim o currículo teria um espaço de tempo considerável não preenchido e, caso isso seja questionado em uma entrevista de emprego, poderá sim ser uma questão.»

Profissionais já com um tempo maior de estrada também podem optar por uma apresentação mais enxuta. «Se você tiver 30 ou 40 anos de experiência, eu indicaria não mencionar o estágio caso você mesmo olhe para ele e não ache mais relevante. Acredito que a partir de um certo momento da carreira, tudo bem optar por essa remoção. O que alguns candidatos fazem – e eu considero um caminho – é citar as primeira experiências – estágios ou trainees – apenas com o nome da empresa e o cargo mais antigo naquele período», aconselha a gerente da Page Personnel e Michael Page.

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