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TSE rebate Bolsonaro e diz que voto impresso é a ‘volta das fraudes’

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu subir o tom ontem contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, após uma semana cheia de ataques do chefe do Executivo contra a urna eletrônica.

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Em nota assinada pelo atual presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, e todos os ex-chefes do tribunal desde a redemocratização, em 1988, o sistema eleitoral teve respaldo das autoridades e o voto impresso, defendido por Bolsonaro, foi classificado como “volta das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil”.

O projeto, que é uma das principais bandeiras do presidente, prevê que após o eleitor votar na urna eletrônica, ele poderá verificar sua escolha em um comprovante que irá automaticamente para outro recipiente físico.

Em transmissão ao vivo na semana passada e em vídeos nas redes sociais no domingo, Bolsonaro defendeu a proposta e alegou por diversas vezes que a urna eletrônica é passível de fraudes. Em nenhum momento ele provou as supostas irregularidades.

“Desde 1996, quando houve a implantação do sistema de votação eletrônica, jamais se documentou qualquer episódio de fraude nas eleições”, afirmou a nota (confira os principais trechos ao lado).

Jair Bolsonaro ainda voltou a atacar o presidente do TSE ontem. De acordo com ele, o ministro Luís Roberto Barroso quer uma “eleição suja e não democrática”. 

‘Presidente quer criar clima de insegurança’

Em entrevista ao Metro Jornal, o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo afirmou que o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro contra o atual sistema eleitoral brasileiro é “preocupante”.

“Bolsonaro quer criar um clima de insegurança que não pretende melhorar nossa democracia e pode nos levar a atos antidemocráticos. Fico com medo e me preocupa pensar qual o objetivo dos ataques”, disse.

De acordo com Rollo, o presidente também divulga  notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. “É lamentável que o presidente da República utilize fake news e mentiras para enganar o espectro de eleitores que acredita cegamente nele”, afirmou.

Diante da situação, o advogado acredita que a reposta do TSE e do STF (Supremo Tribunal Federal) vem em um bom momento. “É importante que as autoridades, principalmente do Judiciário, defendam a lisura da votação eletrônica. Se não fica Bolsonaro de um lado tratando as acusações como verdade absoluta. É necessário desmentir o que o presidente fala.”

Rollo também reafirmou que os recentes ataques de Bolsonaro ao processo eleitoral não se baseiam em verdades. “Por exemplo, é mentira que a apuração é feita em uma sala secreta. A apuração é realizada pelo boletim de cada urna. O TSE apenas faz a totalização.” 

Fux afirma que não há impunidade

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux também respondeu ontem os ataques do presidente Jair Bolsonaro durante o discurso de início dos trabalhos no Supremo após o recesso. Em claro recado ao chefe do Executivo, Fux afirmou que “harmonia e independência entre os Poderes não implicam impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições […] atitudes desse jaez deslegitimam veladamente as instituições do país”. 

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