Foco

Como sobreviver no mercado de trabalho? Autora de livro lista as habilidades fundamentais; saiba quais são

As chamadas soft skills podem – e devem – ser aprimoradas por profissionais de todas as áreas e níveis

O Brasil atingiu a triste marca das 14,8 milhões de pessoas desempregadas, segundo revelou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira (dia 30). Os dados se referem ao trimestre encerrado em maio e revelam o que, na prática, a maioria já sabe: sobreviver no mercado de trabalho não tem sido tarefa fácil.

Se antes da pandemia os desafios já eram imensos, no pós-covid o cenário se agravou com a crise econômica instaurada e consequente fechamento de postos. A pergunta é: além dos conhecimentos exigidos por cada profissão, o que mais pode garantir a manutenção do cargo ou a conquista de uma nova posição?

Leia também:

Google Brasil abre processo seletivo de estágio para pessoas negras

Covid-19: São Paulo vacina público com 28 anos nesta segunda e terça-feira

Três em cada cinco pessoas já receberam pelo menos uma dose da vacina no Estado de São Paulo

Talvez você já tenha ouvido falar em soft skills, termo muito empregado em RH (Recursos Humanos). Tratam-se de habilidades não-técnicas, ligadas a comportamento e formas de se relacionar. E é justamente nelas que a chave do sucesso profissional se encontra, segundo Andreia Loures-Vale, escritora e autora do livro “Domador de Rinocerontes”.

«Antes de mais nada, o profissional hoje deve ser um ‘resolvedor’ de problemas, ter a mentalidade de solução. Em seguida, precisa ter criatividade, foco, agilidade e adaptabilidade. Costumo dizer que é necessário trocar o pneu com o carro andando», afirma.

Segundo Andreia, as soft skills muitas vezes não são inerente ao profissional, mas pode sim ser aprendidas ao longo do caminho. «Gosto do conceito 1% inspiração e 99% transpiração. Acredito que todo talentoso nato pode ser vencido por aquele que se dedica.»

Outra dica valiosa da autora é apostar em experiências novas. A zona de conforto não é uma opção para quem pretende continuar vivo no mercado de trabalho. «Faça coisas diferentes, aprenda algo novo, se relacione com pessoas distintas. A curiosidade entra nesse ponto. Quem quer se desenvolver precisa ter vontade de vivenciar o novo e, assim, adquirir vivência e conhecimento», explica.

Para muito que já estão no mercado há algum tempo, esse pode ser um grande desafio. «Nosso ego é acionado nesse momento, trazendo incômodo. Mas lembro que é necessário contar com a capacidade de desaprender. O fixo simplesmente já era», diz. «A exposição ao desconhecido pode machucar, mas faz faz parte do jogo», completa.

Nomeie seus medos

O que não nos é familiar gera medo. A reação, natural do ser humano, explica por que razão é tão difícil mudar e se arriscar – algo tão essencial quando o assunto é trabalho. Andreia afirma, contudo, que identificar as situações assustadoras pode facilitar a tomada de decisões, seja na campo profissional ou mesmo pessoal.

«O que é perigoso? O que não conhecemos. Por isso, a grande sacada é nomear os medos. Dessa forma, é possível partir para uma análise objetiva, uma vez que aquilo não é mais desconhecido», diz a especialista.

Mas como identificar as dificuldades e sentimentos relacionados a elas? O grande ponto se encontra bem nos questionamentos. «Nossa educação está baseada em respostas, mas este e o momento de aprendermos a fazer perguntas do tipo ‘por que isso está acontecendo’ ou então ‘o que isso quer me dizer’. Com alvos objetivos, o cérebro começa a trabalhar para encontrar as soluções.»

Andreia atenta para o fato de que nem todas as respostas às perguntas podem estar corretas – e não há problema nisso. «Vamos errar muitas algumas vezes, mas a questão é errar rápido para que se conserte rápido também. Nesse ponto, duas outras características se mostram essenciais ao profissão atual: a adaptabilidade e a flexibilidade.»

Uma vida pautada por mudanças

A autora do livro vivenciou a guinada na carreira e a gestão de riscos na própria pele. Hoje aos 57 anos, Andreia é médica cardiologista, escritora, professora e palestrante. Mestre em Biologia Molecular e pós-graduada em Gestão de Negócios, ela conta ainda com experiências corporativas em indústrias farmacêuticas. No meio disso tudo, ainda conseguiu ser DJ e produtora cultural, locutora, apresentadora de TV e empreendedora.

Antes de «Domador de Rinocerontes», já havia lançado o livro «Um sonho de profissão». Na mais recente obra, seu objetivo é alcançar profissionais, mas também o público em geral que pode, segundo ela, se beneficiar das técnicas apresentadas. «Este livro não é voltado apenas para mundo corporativo. Sua linguagem acessível pretende ajudar o máximo de pessoas a resolverem suas questões por meio de uma metodologia bastante simples», finaliza.

Tags

Últimas Notícias


Nós recomendamos