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Plantação de milho no Paraná antes e depois de geada neste mês | / Divulgação/ConabPlantação de milho no Paraná antes e depois de geada neste mês  |  / Divulgação/Conab
Foco 27/07/2021

Depois da seca, são as geadas que deixam os alimentos mais caros

Por : Vanessa Selicani - Metro

As geadas enfrentadas pela região Sudeste do país destruíram toneladas de grãos de café e milho e podem ter reflexos nos preços dos supermercados nas próximas semanas. A carne, um dos produtos que mais acumulam alta em 12 meses, também é impactada por utilizar o milho para alimentação dos animais. Mas são os hortifrútis, como alface, cebola e tomate, os primeiros a mostrarem o peso negativo das geadas no bolso dos brasileiros. 

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As lavouras já foram afetadas neste ano pela seca extrema no país, que reduziu os volumes das hidrelétricas aos menores níveis em 91 anos. A situação das geadas fica ainda mais complicada com a previsão de novas ocorrências nesta semana. Leia mais informações na página 2.

O coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), Guilherme Moreira, lembra que são os itens in natura que têm segurado a inflação dos alimentos neste ano. O acumulado até junho do índice medido pela instituição para alimentação foi de 2,43% e o geral, 3,50%. Mas industrializados alcançam 5,54% e os semi-elaborados, 5,05%. Já os  in natura ficaram em menos 8,83%. 

“Do ponto de vista de preços, eu diria que o impacto das geadas será enorme no índice de inflação. Porque são frutas, verduras e legumes que estão segurando o índice. Mas esses alimentos sofrem impacto direto do clima”, afirma.

Moreira  diz que os preços já aparecem mais caros para os hortifrútis logo após as geadas. Na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), as alfaces estão na lista de produtos em alta de preços desde a semana passada.

Grãos

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) monitora os impactos das geadas nas lavouras do Sudeste em tempo real. Além do café e milho, o órgão do Ministério da Agricultura calcula reflexos também na produção de trigo e cana de açúcar. Mas é a segunda safra de milho, que teve o plantio atrasado de fevereiro para março neste ano, que mais preocupa.   De acordo com a companhia, a expectativa é que a produtividade seja até 30% menor que a média nos últimos cinco anos no Paraná e Mato Grosso do Sul por conta das geadas.

A JBS, segunda maior empresa de alimentos no mundo, informou ontem ter adquirido 30 navios do cereal na Argentina para alimentar seus rebanhos de animais.

Para o café arábica, a estimativa é que as geadas ocorridas no dia 20 deste mês tenham atingido área entre 150 mil e 200 mil hectares. Desde o início do ano, o fenômeno natural impactou metade da produção nacional, o equivalente a cerca de 860 mil hectares. O Brasil é o maior produtor de café, responsável por 40% dos grãos consumidos no mundo. Por conta da destruição provocada pelas geadas, o preço do produto disparou 30% em apenas uma semana no mercado internacional e ultrapassou US$ 3 por libra-peso.