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/ Vista aérea mostra Templo Kwanyin inundado na China. Ele foi construído em 1345 | Getty Images / Vista aérea mostra Templo Kwanyin inundado na China. Ele foi construído em 1345 | Getty Images
Foco 26/07/2021

Mudança climática: um problema de agora

Por : Letícia Bilard - Metro

Mudança climática. Episódios ligados ao aquecimento global são alertas sobre irreversibilidade da destruição do meio-ambiente


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“Tem passado pela minha cabeça a ideia de não ter filhos justamente para não contribuir com essa situação que vivemos. É assim que o jovem de 23 anos, Luis Iglesias, se sente em relação às mudanças climáticas que vê nas notícias e estuda na pós-graduação. Ele, que é voluntário em uma plataforma educativa sobre o meio-ambiente, a EmpoderaClima, conta que, pensando justamente no futuro do planeta, resolveu mudar seus hábitos.

“Sou vegetariano com transição para o veganismo e sei que não adianta só eliminar a carne e continuar sem consciência. Então, hoje, também tomo banhos cronometrados e desde que meu prédio começou a coleta seletiva, nós separamos o lixo”, conta Iglesias que já pensou em fazer biologia para salvar o mundo.

A mudança climática tem se transformado em uma preocupação muito séria entre os jovens. De acordo com o Instituto Pew, dos Estados Unidos, 57% dos adultos na faixa dos 20 anos consideram o aquecimento global uma questão grave – índice que, segundo o instituto, tem crescido a cada ano.

Em Schuld, na Alemanha, moradores continuavam a remover destroços após inundações | Thomas Iohnes/Getty Images

Na última semana, inundações na Alemanha, Bélgica e China provocaram pânico, deixando mais de uma centena de mortos e milhares de desabrigados. Na Alemanha, o presidente, Frank-Walker Steinmeier, lamentou a morte de mais de 170 pessoas em virtude das chuvas. Ao menos 1,3 mil estão desaparecidas e o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, culpou as mudanças climáticas pelo episódio.

“Apenas se nos comprometermos de forma resoluta com a luta contra as mudanças climáticas poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente”, declarou Steinmeier, que diz estar “profundamente arrasado” pela tragédia.

Na China, choveu em três dias o que, segundo especialistas, deveria chover em um ano. As tempestades da semana passada deixaram ao menos 33 mortos.

Vista aérea mostra Templo Kwanyin inundado na China. Ele foi construído em 1345 | Getty Images

Ao redor do mundo, cientistas têm medido as temperaturas para acompanhar as mudanças climáticas. Agências como NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) e Nasa (agência espacial americana) já observaram que a temperatura média global aumentou pouco mais de 1ºC desde a década de 1880.

Apesar de parecer pouco, isso nos coloca no limite de aquecimento de 1,5ºC proposto pelo Acordo de Paris, em 2015. Para evitar a produção de gases de efeito estufa, a União Europeia anunciou há duas semanas que a partir de 2035, automóveis movidos a gasolina podem ser proibidos no bloco.

Entrevista: Pedro Ivo Camarinha

Doutor em Ciências do Sistema Terrestre e pesquisador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Envio de Alertas de Desastres Naturais) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, conversou com o Metro World News. Especialista fala sobre as políticas brasileiras e diz se ainda é possível correr atrás do prejuízo.

As mudanças climáticas são naturais na história do planeta Terra?
Mudanças no clima acontecem naturalmente e de forma cíclica há milhares de anos. Os padrões destas mudanças são muito bem conhecidos através da Paleclomatogia [estudo das variações climáticas ao longo da história da Terra]. Durante esses milhares de anos, a própria evolução das espécies foi responsável por encontrar mecanismos que permitiram que a vida por aqui se perpetuasse, porém dentro de limites, e o problema mora exatamente aqui. As mudanças que temos causado nos últimos 100 anos são gigantescas, extrapolando estes limites. A verdade é que a vida na Terra ainda continuará a existir, mas garantidamente não todas as formas de vida. A questão é: e a espécie humana? Sob quais condições viveremos e quais grupos sociais poderão se adaptar?

E ainda dá tempo de correr atrás do prejuízo?
Reversibilidade, na nossa escala de tempo, é praticamente impossível. Mesmo se parássemos agora de emitir todos os gases de efeito estufa, ainda levaria mais de 100 anos para que voltássemos aos níveis pré-industriais. Isso significa que, de fato, temos que enfrentar estes desafios climáticos por um tempo. Resta saber o quão desafiador será. É fato que o ser humano tem uma capacidade de se adaptar, mas o problema é que essa adaptação custa caro e não será homogênea.

O que o governo brasileiro tem feito para minimizar estes impactos?
Com a extinção da Secretaria de Mudança do Clima e Florestas, em 2019, as ações voltadas para este tema não têm mais uma governança bem definida e são descentralizadas em diversos ministérios, que têm o Plano Nacional de Adaptação (de 2016) como instrumento direcionador das políticas. Quanto à redução de impactos e riscos associados aos eventos climáticos, todas as instituições federais que atuam no escopo da Gestão de Risco a Desastres trabalham neste sentido, com destaque para o Cemanden/MCTIC, que monitora e envia alertas de desastres para todo país, e o INPE/MCTI que atualmente é o responsável pela plataforma AdaptaBrasil. Essa plataforma integra e dissemina informações sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil.

Como fazer sua parte

Mudanças de hábitos individuais podem ajudar na preservação do meio-ambiente sem sair de casa:

1. Sempre que possível, evite o carro
Quando queimam combustíveis, os carros também emitem gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Invista em caminhadas ou passeio de bike para percursos de até 3km. Com esse esforço, é possível driblar uma produção de gases de efeito estufa equivalente à produção de energia elétrica de uma casa por 41 anos

2. Diminua o consumo de plásticos
Quando for ao mercado, não esqueça sua sacola reutilizável. O mesmo vale para o uso de canudos e copos descartáveis. É possível substituí-los com outros materiais duradouros

3. Não desperdice alimentos
Poderia ser só mais uma frase típica dos pais para os filhos, mas o processo de decomposição de alimentos também gera gases de efeito estufa. Se achar que vai perder algo dentro da geladeira, congele ou use a criatividade para adaptar o alimento em uma receita

4. Cuidado para não esquecer luzes ligadas
Ao economizar energia elétrica desligando cômodos que não estão em uso, você contribui para que os reservatórios de água das hidrelétricas se mantenham abastecidos até mesmo em épocas de seca

Fonte: Greenpeace e Instituto Akatu