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Sol / Pixabay/Divulgação Sol / Pixabay/Divulgação
Foco 25/07/2021

Exposição ao sol é fundamental para manter níveis de vitamina D no organismo, diz especialista

Pandemia obrigou a manter pessoas nas suas casas, mas ainda assim é preciso garantir exposição aos raios solares

A pandemia trouxe uma série de mudanças na nossa rotina. O home office passou a ser uma alternativa para que as empresas mantenham seus funcionários seguros, as aulas online garantiram o isolamento dos estudantes, mas, com isso, as horas dentro de casa aumentaram ainda mais. A distância das aglomerações é necessária, mas aquela saída básica no quintal ou na varanda não pode ser deixada de lado. A exposição ao sol é importante para garantir a nossa saúde, em especial os níveis de vitamina D.

Ao contrário do que diz o nome, essa substância não se trata de uma vitamina. Na verdade, se trata de um hormônio que participa de muitos processos do nosso corpo e age principalmente na imunidade. Pesquisas mostram que ela está diretamente envolvida na nossa resposta inflamatória.

A dermatologista Tatiana Gabbi, da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo (SBD-SP), explicou ao Metro World News que a vitamina D é obtida através da quebra de gorduras, ou seja, do colesterol presente na nossa pele.

“É através da radiação ultra-violeta que essa molécula de gordura se tranforma na vitamina D. Assim, a exposição ao sol é fundamental para que os níveis se mantenham satisfatórios”, afirma.

Segundo a médica, a falta da substância no nosso corpo pode contribuir para o desenvolvimento de uma série de doenças. “Antigamente a gente sabia que a falta de vitamina D era uma das principais causadoras da osteoporose. Mas vai muito além disso. A deficiência facilita o surgimento de infecções, além de problemas em várias células, danificando a pele, cabelo e até o intestino”, explica.

Os baixos níveis de vitamina D também estão associados a instabilidade emocional, sendo que muitos pacientes diagnosticados com depressão apresentam insuficiência do hormônio.

Diagnóstico

Tatiana explica que a deficiência de vitamina D no organismo pode ser diagnosticada por meio de um exame de sangue. Porém, cada pessoa precisa ter o seu histórico avaliado para saber se os níveis estão ou não satisfatórios.

“Precisamos saber da história clínica do paciente. Quando a pessoa é saudável, não tem nenhuma doença pré-existente, os níveis serão uns. Já para aquelas pessoas com alguma donça autoimune, crônicas, degenerativas, até mesmo com diabetes ou pressão alta, a avaliação tem que ser diferente”, diz.

Sendo assim, segundo a médica, a recomendação é que o paciente busque orientação médica para ter o tratamento indicado ideal para a sua realidade. “Para se ter ideia, até a cor da pele da pessoa influencia no nível de vitamina D que ela absorve, já que peles morenas e negras têm mais dificuldade de absorção dos raios solares. Questões de idade também, já que quanto mais idosos mais seca e sensível é a pele, então ela terá menos gordura e será mais difícil que o sol quebre essa molécula. Então cada pessoa precisa de uma avaliação individual”, ressalta.

Reprodução/ Pixabay

Sol do meio-dia

A dermatologista explica que, além de uma alimentação saudável, todos devem tomar sol o máximo que conseguir. Eo horário ideal para a melhor absorção da vitamina D é ao meio-dia.

“Sempre ouvimos que o correto é tomar sol pela manhã ou no fim da tarde, mas nesses horários a radiação não é suficiente para a quebra das moléculas de gordura na pele. Mas é claro que tudo depende do lugar do planeta onde a pessoa está tomando esse sol, no Nordeste do país, por exemplo, o sol é muito diferente do Sul. Mas o ideal é que o indivíduo faça o uso do filtro solar e faça essa exposição ao sol do meio-dia pelo menos por 15 minutos”, afirma.

E uma pesquisa feita pela SBD no Rio de Janeiro, feita em 2017, mostrou que o uso de filtro solar não impede a capacidade de absorção da vitimina D. Na ocasião, dois grupos de dermatologistas voluntários foram divididos em três grupos.

O primeiro grupo não se expôs à luz solar por 24 horas, já o segundo tomou sol em doses baixas, de 10 a 15 minutos, com protetor solar. O terceiro tomou sol pelo mesmo período sem nenhuma proteção.

No dia seguinte, foram aferidos os níveis de vitamina D no sangue dos voluntários e os resultados apontam que o número foi maior do hormônio foi registrado exatamente no grupo exposto com filtro solar.

Suplementação

Tatiana explica que uma alimentação saudável também ajuda a manter os níveis de vitamina D, já que, com gordura na pele, a exposição ao sol ajuda. Porém, nem sempre esse período de radiação é possível, ou não é feito com frequência. Assim, quando a deficiência é diagnosticada, o médico indica a suplementação por meio de cápsulas.

“Mas volto a ressaltar que cada caso é um caso e precisa ser avaliado individualmente. Porque precisamos avaliar o histórico do paciente, se ele faz dieta sem consumo de gorduras, se tem a pele seca, alguma comorbidade. As pessoas devem procurar orientação profissional para fazer essa suplementação da forma correta, mas sempre lembrando que a exposição ao sol nunca deve deixar de ser feita. Ela ajuda a regular o nosso corpo e a manter a nossa saúde”, concluiu.