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Foco 14/07/2021

Protestos em Cuba tem 140 presos e ao menos uma vítima

Por : Metro com Agências

Ao menos 140 pessoas foram presas e uma pessoa morreu em Cuba desde domingo, após manifestações tomarem as ruas contra o regime local, segundo organizações humanitárias. A primeira morte entre manifestantes foi confirmada ontem pelo governo cubano. Segundo autoridades, trata-se de Diubis Laurencio Tejeda, de 36 anos. 

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O policiamento em diversas vias do país foi reforçado após o presidente Miguel Díaz-Canel acusar a população de usar as redes sociais para provocar uma rara manifestação contra alta de preços e a escassez de alimentos. Entre os detidos estão jornalistas, artistas e ativistas.

“A ideia é punir aqueles que se atrevem a desafiar o governo e enviar uma mensagem”, critica Erika Guevara-Rosas, diretora das Américas da Anistia Internacional. Segundo ela, o governo cubano quer passar a ideia de que nenhum outro protesto será tolerado. Erika ainda desafiou as estimativas locais e afirmou que comícios espontâneos e pacíficos ocorreram em  pelo menos 48 pontos do país, incluindo a capital Havana. Até o momento, autoridades cubanas dizem que os protestos foram reportados em 20 regiões.

Entre os detidos, está Camila Acosta, uma jornalista cubana que atua como correspondente em Cuba para um jornal da Espanha e teve sua casa violada. A prisão de Camila fez com que o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, exigisse a liberação imediata da repórter. 

“A Espanha defende o direito de se manifestar livremente e pacificamente e pede às autoridades cubanas que o respeitem. Nós defendemos incondicionalmente os direitos humanos”, disse Albares. 

Além das detenções,  Cuba amanheceu sem acesso às redes sociais, plataformas apontadas pelo governo como pivô das manifestações. Segundo a agência de notícias Reuters, a NetBlocks, uma companhia de monitoramento de internet, confirmou que Cuba restringiu o acesso às páginas de mensagens, como Facebook, Instagram, WhatsApp e Telegram.

Os atos de domingo foram classificados como uma das maiores demonstrações de sentimento antigoverno vistos desde 1994, quando milhares de cubanos saíram às ruas de Havana para protestar contra as políticas do governo. Na época, o episódio ficou conhecido como “maleconazo” porque centenas de cubanos invadiram o Malecón, calçadão à beira-mar em Havana, gritando “liberdade”.

Agora, pessoas ganham as ruas protestando contra a crise econômica de Cuba e a gestão em meio à pandemia do coronavírus. Alguns manifestantes pediam ainda o fim do comunismo, segundo informou a Reuters.