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Foco 13/07/2021

Pandemia empurra mais 118 milhões para a fome

Por : Letícia Bilard - Metro

Cerca de 118 milhões de pessoas ao redor do mundo começaram a passar fome no ano passado, reportou o FAO (braço das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). Agora, a entidade estima que ao menos 10% da população, cerca de 800 milhões de pessoas, estava subalimentada em 2020 – um aumento de 18% se comparado aos dados coletados em 2019.

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O relatório anual “O Estado da Insegurança Alimentar e Nutrição no Mundo”  explica que a organização já mapeava o crescimento da fome desde 2010, mas os índices durante a pandemia de covid-19 se mostraram “perturbadores” e “devastadores”, além de “desiguais”.

Segundo a publicação, mais de metade das pessoas subalimentadas vivem na Ásia (418 milhões), um terço na África (282 milhões) e, na América Latina, 60 milhões. 

O estudo também retrata a desigualdade. Enquanto 149 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem atrasos no crescimento em virtude da fome – destas, 45 milhões estão debilitadas e muito magras –, quase 39 milhões de crianças estão acima do peso. Ao todo, mais de 3 bilhões de crianças e adultos são excluídos de dietas saudáveis. 

No Brasil, o relatório constatou que 49% dos entrevistados afirmam que os hábitos alimentares mudaram durante a pandemia, principalmente induzidos pela alta de preço nos mercados. Entre famílias com crianças, 31% aumentaram o consumo de alimentos ultraprocessados.

Para a socióloga Michelle Louzeiro Nazar, além da alta do desemprego, o fechamento das escolas também contribuiu para este cenário de fome. “Em muitos casos, a escola é o espaço onde a criança tem algum tipo de aporte nutricional. Desta forma, a fome é um dos efeitos mais nefastos da crise sanitária e socioeconômica pela qual o Brasil passa e necessita de um olhar muito mais atento do poder público.”