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EAD cresce no Brasil, mas modelo é visto com cautela

Rede privada. Matrículas no ensino a distância cresceram 9,8% entre 2020 e 2021, enquanto número de estudantes no presencial diminuiu 8,9%

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Uma tendência que vem desde 2016 se acentuou ainda mais na educação brasileira no começo de 2021. O número de matrículas em cursos presenciais de instituições de ensino superior da rede privada diminuiu 8,9% entre 2020 e o primeiro trimestre deste ano. Por outro lado, a quantidade de estudantes nas faculdades particulares na modalidade EAD (ensino a distância) cresceu 9,8% no mesmo período.

É o que mostra o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2021, desenvolvido pelo Instituto Semesp, com estimativas produzidas a partir de informações do Censo de Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

O número de matrículas em cursos EAD aumenta desde 2009. Já a quantidade de alunos em cursos presenciais começou a cair em 2016, depois de apresentar crescimento desde 2009. Atualmente, quase 76% dos estudantes de ensino superior no país estão inscritos em unidades de educação da rede privada.

Arte/Metro

O isolamento social provocado pela pandemia de covid-19 ajudou a intensificar o fenômeno. No entanto, o modelo EAD ainda é visto com cautela por especialistas. Na análise do diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o ensino a distância não deverá substituir o modelo presencial pós-pandemia, mas sim auxiliá-lo. “Tem espaço para todos os tipos de cursos. O EAD não vai matar o ensino presencial. Se eu afirmar isso, não estarei resolvendo o problema de qualidade da educação, mas sim estarei aprofundando”, afirmou.

Ele também ressalta que muitos dos jovens estão deixando de entrar no ensino superior privado presencial por questões financeiras. E nem todos vão para o EAD, já que a maior parte dos estudantes que escolhem o ensino a distância tem idade mais elevada. Ou seja, são dois perfis diferentes. “A gente está voltando a ter aquela massa de população mais velha só com o ensino médio completo. Essa é outra questão muito grave”, disse.

Segundo Capelato, as políticas públicas são outra importante alternativa para melhorar o panorama da educação. “As vagas para universidades públicas são poucas e não há, para a maioria, condições financeiras para a rede privada.”

Porcentagem de jovens no ensino superior ainda está longe da meta

Para além das nuances do ensino superior no modelo EAD ou presencial, a taxa de escolarização líquida deste ano é outra informação preocupante da pesquisa.

O dado é calculado por meio da porcentagem de jovens dos 18 aos 24 anos matriculados no ensino superior privado ou público, que é de apenas 17,8% em 2021, de acordo com estimativa do Semesp. O diretor executivo Rodrigo Capelato afirma que o número ainda está longe da meta estipulada pelo Plano Nacional de Educação, de atingir 33% em 2024.

“Menos jovens no ensino superior implica em uma maior vulnerabilidade social e menos capital socioeconômico no mercado, o que deve impactar na capacidade produtiva do país no futuro”, analisou.

A taxa de escolarização líquida se mantém estável desde 2018 (17,9%), passando para 18,1% em 2019 e 18% em 2020, o que não mostra evolução no acesso ao ensino superior de pessoas desta faixa etária.

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