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Seca prolongada deve elevar preço da energia elétrica e dos alimentos | / Rubens Cardia/FolhapressSeca prolongada deve elevar preço da energia elétrica e dos alimentos |  / Rubens Cardia/Folhapress
Foco 10/06/2021

O pior maio em 25 anos de aumento nos preços

Por : Vanessa Selicani - Metro

O índice oficial de inflação do país mostra que não está fácil pagar as contas da casa, encher o tanque de combustível e colocar carne no prato todo dia.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para maio divulgado ontem acelerou na comparação com abril, chegando a 0,83% no mês. É a maior taxa para maio registrada nos últimos 25 anos. Os preços apurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que os grandes responsáveis pela alta foram a energia elétrica (5,37%), gasolina (2,87%) e as carnes (2,24%), além do gás encanado (4,58%) e de produtos farmacêuticos (1,47%).

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O índice veio acima do projetado pelo mercado,  entre 0,65% e 0,76%, e eleva o acumulado em 12 meses a 8,06%, longe da faixa entre 2,25% a 5,25% buscada pelo Banco Central para 2021. Analistas acreditam que a aceleração da inflação pode fazer com que o Copom (Comitê de Política Monetária) eleve novamente a taxa básica de juros, a Selic, uma das ferramentas do governo para frear a inflação. Na última reunião, ela subiu 0,75%, indo a 3,5%.

O gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, acredita que uma série de fatores fizeram o IPCA surpreender para cima. “Em primeiro lugar, veio a alta da energia e, ao mesmo tempo, houve a volta do aumento da gasolina, que havia caído em abril. Há também o impacto do aumento dos preços dos remédios, dentro do grupo de saúde e cuidados pessoais, e ainda uma recuperação do setor de vestuário.”

A expectativa em relação aos preços para os próximos meses é ruim para os consumidores. E a maior seca desde 2001 é a principal vilã neste momento, como mostrou o Metro World News em reportagem publicada na segunda-feira. 

É ela a responsável pela alta na conta de energia elétrica. Os consumidores pagavam em maio taxa mais cara por conta das condições hidrológicas desfavoráveis. A bandeira vermelha patamar 1 adicionava acréscimo de R$ 0,04169 para cada kWh (quilowatt-hora) consumido. Neste mês de junho, a condição foi considerada ainda mais grave pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que acionou a bandeira vermelha patamar 2, responsável pelo acréscimo de
R$ 0,06243 para cada kWh.

O economista da Nova Futura Investimentos Pedro Paulo Silveira lembra que a alta da energia elétrica tem impacto não só nas contas diretas da casa, mas também em toda a cadeia de produtos que dependem dela. “No mínimo, podemos ter um cenário futuro extremamente ruim para a inflação. Os preços vão aumentar e tem muita coisa que depende de água e energia, como o próprio agronegócio.”

Alta é passageira, diz governo

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse estar seguro de que a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) será passageira e que o índice terminará o ano dentro da meta de inflação, com o trabalho do Banco Central e o avanço da agenda de reformas.

Para ele, a inflação mais alta, divulgada ontem, reforça a necessidade de “ancoragem” das expectativas do lado fiscal (contas públicas) da economia e de avanço na agenda de reformas.

“A agenda de privatizações e concessões e abertura econômica é um poderoso estímulo ao aumento da concorrência, melhora da eficiência econômica e redução de preços ao consumidor”, ressaltou Sachsida.

O secretário contestou a avaliação de que a inflação mais alta facilita o ajuste fiscal ao turbinar as receitas. “Inflação não ajuda, sempre atrapalha. No médio prazo, isso tudo é perdido com uma estrutura produtiva prejudicada pela inflação e pela indexação dela decorrente”, justificou.

Sachsida disse ainda que a inflação vai ceder com o governo “fazendo a sua parte”.   Metro com Estadão Conteúdo