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Foco 09/06/2021

Recorde no abate de porco e ave mostra queda no poder de compra da carne bovina

O abate de frangos e porcos foi recorde no primeiro trimestre, com altas de 3,3% e  5,7%, respectivamente, na comparação com 2020, enquanto o bovino teve a maior queda desde 2009, 10,6%. O sobe e desce na pecuária brasileira divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é um termômetro de como a crise econômica se reflete no prato dos brasileiros.

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Enquanto grande parte da população perdeu renda desde o início da pandemia, as carnes subiram de preço. A bovina, que tradicionalmente já é mais cara, acumula alta de 39% em 12 meses até maio, de acordo com o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fipe). Frangos subiram 27,4% e o porco, 31,7%.

 De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo de carne bovina no país é a menor em 25 anos, com queda de 4% apenas nos primeiros quatro meses do ano, alcançando 26,4 quilos per capita por ano.

Supervisor da pesquisa do IBGE, Bernardo Viscardi lembra que a exportação de carne bovina segue alta, beneficiada pela desvalorização do real frente ao dólar e o aumento em 22% do consumo na China. O Ministério da Economia registrou o terceiro maior volume exportado para o período, com recorde para um mês de março (133,82 mil toneladas).

“Há influência da restrição orçamentária dos consumidores e das medidas restritivas contra a covid-19 [no aumento do abatimento de aves e porcos]. O desempenho das exportações de frango, por exemplo, permaneceu apenas razoável, então podemos considerar que boa parte desse aumento foi destinado ao consumo interno”, explicou Viscardi.

Exportações

Outro fator que provocou aumento das exportações da carne bovina foi a medida do governo argentino que proibiu a venda de seus produtores para outros países por 30 dias em maio para segurar o preço no mercado interno. Os frigoríficos brasileiros absorveram a demanda internacional. 

A Companhia de Alimentos destaca que o valor da arroba teve valorização de mais de 50% desde abril de 2020: “reflexo das incertezas da pandemia, aumento dos custos de produção e menor oferta.”