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Lago da represa da hidrelétrica de Marimbondo praticamente seca, na região entre as cidades de Icem e Guaraci, no interior de São Paulo / Joel Silva /Fotoarena/FolhapressLago da represa da hidrelétrica de Marimbondo praticamente seca, na
região entre as cidades de Icem e Guaraci, no interior de São Paulo / Joel Silva /Fotoarena/Folhapress
Foco 07/06/2021

Crise hídrica vai pesar no bolso dos consumidores

Por : Diego Brito - Metro

Haja calculadora. Além do possível racionamento de energia e até apagão, seca nas represas das hidrelétricas faz conta de luz aumentar e alimentos ficarem mais salgados nas prateleiras

Prepare a caneta, o papel e a calculadora. A maior crise hídrica desde 2001 nas represas das hidrelétricas brasileiras vai atingir em cheio o bolso do consumidor nos próximos meses, principalmente na conta de luz e no valor dos alimentos. Além disso, há possibilidade de racionamento de energia e até possíveis apagões.

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O índice dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste é o menor do século, com apenas 32,1% do total disponível até o último dia de maio. A falta de chuvas na região durante o chamado período úmido, que começa em novembro e vai até abril, é o principal fator para a seca histórica.

O governo federal descarta qualquer possibilidade de controlar o uso de energia elétrica, mas um gabinete de crise já foi criado para cuidar do assunto. Inclusive, a ANA (Agência Nacional de Águas) declarou situação crítica de escassez de recursos hídricos na Região Hidrográfica do Paraná, que abrange cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Arte/Metro

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro assumiu a gravidade da situação: “Na energia, estamos com problema da maior crise hídrica da história do Brasil. Mais um azar”.

Com os reservatórios no limite e alertas de estiagem desde o fim do ano passado, o governo também precisou contratar energia das termelétricas – bem mais cara –, inclusive as sem contrato, para enfrentar a escassez de recursos hídricos e possível racionamento. É aí é que começa a complicar a situação financeira dos consumidores.

Desde o início de junho, a cobrança na conta de luz em todo o país está na bandeira vermelha patamar 2, após orientação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Com a determinação, está sendo cobrado um valor adicional de R$ 6,24 para cada 100 kwh de energia consumidos. O preço adicional é necessário para cobrir os gastos com as termelétricas.

Nas prateleiras

Além de jogar a conta de energia elétrica nas alturas, a crise hídrica também vai interferir no valor dos alimentos, principalmente dos in natura – grãos, legumes, verduras e frutas, por exemplo.

Economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP (Universidade de São Paulo), Guilherme Moreira afirma que o encarecimento é certo. “Um período de seca prolongado interfere com certeza porque são alimentos sazonais e dependem do clima durante a produção. Com essas dificuldades, a produção fica menor e entra a lei da oferta e demanda, o que eleva o preço”, explicou.

Com a energia mais cara, o gasto para a produção de outros alimentos também sobe, principalmente dos que precisam de refrigeração. “A energia também é um insumo importante na área industrial, o que pode aumentar o preço do queijo e outros produtos derivados do leite.”

Moreira afirma que uma forma de reduzir os impactos da crise não está ligada aos preços, porque eles não vão diminuir. “A saída está na criação de emprego e geração de renda. Inclusive, essa crise é muito desigual. O aumento nos alimentos afeta principalmente as famílias com baixa renda. A alimentação é a principal parcela de gasto desta população, diferente das que possuem mais dinheiro”. complementou o economista.