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Foco 01/06/2021

Serrana fica praticamente sem mortes após vacinação

Por : Vanessa Selicani - Metro

A vacinação em massa praticamente zerou as mortes por covid-19 e trouxe benefícios inclusive aos que não conseguiram tomar as doses. Os dados apresentados ontem pelo governo do Estado de São Paulo com base na experiência realizada na pequena cidade de Serrana dão esperança de que a imunização pode realmente nos levar ao fim da pandemia.

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Durante oito semanas, a população do município da região metropolitana de Ribeirão Preto, com 45 mil habitantes, foi imunizada com doses da Cononavac. O Projeto S, como ficou conhecido, queria mostrar na prática os resultados da vacinação em massa.

As doses foram oferecidas a todos os maiores de 18 anos elegíveis para o estudo em quatro etapas e datas distintas. Com 95% do público alvo imunizado, as mortes caíram 95%, internações 86% e casos sintomáticos 80%. 

“Os resultados demonstram de forma categórica o que poderia estar acontecendo no Brasil inteiro, não fosse o atraso na vacinação”, disse o governador João Doria. Em quatro meses de vacinação, o país tem atualmente 10% da população com as duas doses e 22% com uma. 

 A FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) estima que, no atual ritmo de vacinação no país, só em 2024 teremos todos os brasileiros  adultos vacinados. No entanto, Doria manteve ontem a previsão para São Paulo em dezembro. Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga também acredita ser possível vacinar toda a população em 2021.

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Entre os resultados mais animadores, na avaliação do diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, é a proteção formada com o avanço da vacinação mesmo entre os que não puderam receber doses. “A redução [de infecção] de adultos é acompanhada por de crianças, que não se vacinaram. Um dos efeitos que poderíamos ver seriam os casos sendo empurrados aos não vacinados, o que não ocorreu. Pelo contrário, vacinar os adultos protege as crianças. É um dado importante para a retomada das aulas, que pode ocorrer mesmo sem os alunos imunizados.”

Outra informação bastante esperada sobre a Coronavac era a eficiência das doses em idosos. Um estudo preliminar divulgado na semana passada apontou que a efetividade cai para 28% para quem tem mais de 80 anos. O dado gerou debate sobre a necessidade de revacinação nos mais velhos. Para o público geral, a taxa foi apontada em 73,8% pelo Hospital das Clínicas. 

No caso de Serrana, o experimento mostra que as mortes e hospitalizações foram praticamente zeradas após 14 dias da segunda dose, mesmo entre os que por algum motivo não receberam o imunizante. “No lugar de propor medidas irracionais, como acrescentar doses, temos que aumentar a escala de vacinação para ofertar também aos idosos os benefícios do efeito indireto da vacinação”, disse o diretor da pesquisa.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que não há dados que justifiquem a terceira dose da Coronavac. “O que existe é a ausência de dados que falam o contrário. Essas notícias [sobre baixa eficácia em idosos] que causaram alarme não procedem.” Covas informou ainda que a OMS (Organização Mundial da Saúde) deve aprovar ainda nesta semana o uso emergencial da Coronavac.