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Foco 01/06/2021

Reajuste no gás encanado eleva preços em até 40%

Por : Diego Brito - Metro

O consumidor de gás encanado do estado de São Paulo vai precisar reorganizar seu orçamento. Isso porque, ontem, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) anunciou um aumento de até 40% no preço do produto que é distribuído pelas concessionárias Comgás e Naturgy.

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O reajuste acima da inflação, que entrou em vigor junto ao comunicado, varia entre 8,1% e 39,9%, dependendo do segmento e da distribuidora (veja os acréscimos no quadro ao lado). No entanto, todos foram afetados: consumidores residenciais, comerciais, industriais e do GNV (gás natural veicular), muito utilizado por motoristas de táxi e aplicativos de transporte. Os valores são ajustados anualmente sempre em 31 de maio.

O aumento pesou mais no bolso daqueles que moram em 18 municípios do interior do estado que são atendidos pela Naturgy. O consumidor residencial terá de pagar entre 30% e 33,3% a mais dependendo do consumo mensal. De acordo com tabela atualizada divulgada pela Arsesp, uma família que utiliza 5 m³ por mês, por exemplo, verá o preço somente do insumo subir de R$ 26,68 para R$ 35,56.

O reajuste para a população atendida pela Comgás será menor. A distribuidora atende 2,1 milhões de clientes, sendo a maioria na Grande São Paulo. O aumento vai variar entre 8,1% e 10,2% – acima da inflação oficial, que acumulada nos últimos 12 meses pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 6,76% em abril.

Segundo a Arsesp, o acréscimo na cobrança do gás canalizado foi impulsionado pelo aumento de 39% no gás natural realizado pela Petrobras no início de maio. De acordo com informe da agência reguladora, o reajuste poderia ter sido ainda maior se não houvesse negociação com as duas distribuidoras do estado.

“O governo de São Paulo observou com preocupação a aceleração da inflação medida pelo IGP-M e, também, o aumento no custo do gás, objeto de reajustes recentes realizados pela Petrobras. Considerando todos os componentes e as regras contratuais, o aumento médio nas tarifas estaria entre 75% e 80% [da Nutergy, e 34% da Comgás]. Por essa razão, a SIMA (Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente) solicitou à Arsesp que desenvolvesse estudos para avaliar os cenários de reajuste e as possíveis medidas para reduzir o impacto aos usuários de todos os segmentos”, afirma trecho da nota da Arsesp.

Para amenizar o impacto nas últimas cobranças, a agência havia confirmado em abril que aumentaria a “transparência” da conta do gás canalizado. “Ao usuário ficará mais claro, por exemplo, quanto ele pagará pelo insumo do gás, pelo transporte, a rede de distribuição e até o usuário final, além das parcelas de recuperação das contas gráficas e os tributos que incidem na tarifa.”

30% dos taxistas deixaram de rodar

De acordo com levantamento do sindicato que representa os taxistas do Rio de Janeiro, entre 25% e 30% dos motoristas abandonaram o trabalho devido ao aumento no preço do GNV (gás natural veicular). Entre os que trabalham em aplicativos de transporte, a desistência chegou a 15%. Isso porque o acréscimo foi feito automaticamente no estado do Rio de Janeiro assim que o aumento começou a valer na Petrobras, em maio. O valor do metro cúbico passou de R$ 2,95 para mais de R$ 4. Em São Paulo, as mudanças nos postos começaram desde ontem. Nos locais atendidos pela Naturgy, o aumento foi de 39,9% – o maior de todos os ajustes. Na área da Comgás, o reajuste chegou a 8,1%. Metro com Band