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/ Foto: Marcello Casal Jr.
Foco 04/05/2021

Bancos já emprestaram R$ 4,5 tri na pandemia

Desde março do ano passado, o sistema financeiro nacional concedeu R$ 4,5 trilhões em créditos no Brasil. O levantamento foi divulgado na segunda (3) pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e quantifica o impacto da pandemia de covid-19 na busca por empréstimos.

A média de concessões mensais feitas por bancos, cooperativas e outras organizações financeiras foi de R$ 347,3 bilhões, superior à média de 2019 em 6,3%. Entre tomadores, a alta foi mais expressiva para pessoas jurídicas (12,1%), que representam média mensal de
R$ 168,4 bilhões do crédito cedido. Já pessoas físicas tiveram menor alta (1,4%), mas ficam na frente em volume total, com R$ 178,9 bilhões na média mensal.

Outro dado apresentado pela Febraban é o estoque de crédito bancário, ou seja, o valor disponível para empréstimo pelo sistema financeiro. No mês de março, ele chegou a R$ 4,1 trilhões, volume recorde no Brasil e alta de 17,8% comparado ao mês anterior.

Entre os motivos que justificam a maior oferta e procura estão a crise financeira provocada pela pandemia e os programas emergenciais criados pelo governo federal e o Banco Central em 2020.

“Mesmo com o forte aumento do risco nas operações de crédito e o momento extremamente desafiador e adverso, os bancos tiveram uma atuação fortemente proativa”, afirmou, em nota, o presidente da Febraban, Isaac Sidney.

Para o planejador financeiro Luiz Fernando Schvartzman, CEO do Vista Fintech, a taxa de juros baixa do último ano levou a uma procura maior por financiamentos destinados ao setor imobiliário. “A pandemia mostrou novas necessidades, como a adaptação para o home office ou mesmo a fuga das grandes cidades.” 

Inadimplência 

De acordo com a Febraban, a taxa de inadimplência – pagamentos com atrasos acima de 90 dias – também registrou queda. Nos meses antes da pandemia, estava em 3% ao ano e, em março de 2021, ficou em 2,2% ao ano.

“Os bancos tiveram uma maior flexibilidade para renegociar dívidas, principalemente no início da quarentena, com campanhas e feirões digitais”, afirma Schvartzman.