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Documentando o caos. Museus já compilam artes e acessórios para contar às gerações futuras como foi viver com a covid-19

A pandemia de covid-19 é, sem dúvida, um grande marco para a história da humanidade. Desde quando o mundo percebeu a gravidade da doença, muita coisa mudou em pouco tempo e ficou até difícil pensar como era o planeta antes dessa emergência sanitária. Pensando em explicar esse momento para as gerações futuras, museus internacionais estão coletando, desde o início do ano passado, artefatos que poderão contar o que foi a pandemia de coronavírus e como convivemos com ela por mais de um ano.

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É o caso do Instituto Smithsonian, nos Estados Unidos. Em canal no YouTube, a curadora do local, Alexandra Lord, conta que o Museu de História Americana do Smithsonian já se preparava para estrear uma exposição sobre a saúde e a medicina na sociedade antes da covid-19, mas com o surgimento da doença e a necessidade de contar essa nova história, eles ampliaram o escopo de peças que participarão da exibição sobre 200 anos de saúde e medicina, que agora inclui desde vacinas contra a varíola até os novos imunizantes contra a covid-19.

“Nosso museu tem uma das, se não a maior, coleção da história médica do mundo, com mais de 60 mil artefatos coletados. No último ano, nós trabalhamos para que nossa exibição consiga responder os questionamentos levantados pelos americanos sobre como o nosso histórico médico do passado nos ajuda e nos ajudou a moldar as técnicas da medicina atualmente”, conta Lord ao dizer que quando os primeiros objetos da covid-19 começaram a ser coletados, em janeiro do ano passado, o instituto ainda não tinha certeza de que o vírus atingiria os Estados Unidos. Mas sabiam que o episódio deveria entrar para a história.

O infectologista Anthony Fauce, superintendente da covid-19 para a Casa Branca, nos Estados Unidos, contou em entrevista ao The New York Times que doaria uma peça pessoal ao Smithsonian: seu modelo tridimensional do coronavírus. “Eu queria escolher algo que fosse realmente significativo para mim e importante porque eu o usava com frequência. “É uma maneira realmente fenomenal de fazer as pessoas entenderem”, disse ele.

A ideia de contar sobre como foi viver a pandemia de covid-19 também foi tema de exposição virtual no Museu da Cidade de Nova York, o “Museum of the City of New York”. Na série #CovidStoriesNYC (em português, “Histórias de Covid em Nova York”), mais de 4 mil fotos da vida diária na metrópole durante a quarentena foram registradas: desde uma coleção de máscaras secando em casa até famílias se encontrando com distanciamento social (veja ao lado).

O assunto ganhou destaque também na internet. Na plataforma do Instragram, os perfis “Covid Art Museum” e “Museu do Isolamento” se tornaram museus virtuais surgidos durante a emergência de covid-19 com obras feitas por artistas durante a quarentena. A ideia de criar um museu com foco na pandemia retrata desde o surto da infecção, até o sentimento generalizado de solidão e medo do vírus.

 


*Com supervisão de Vanessa Selicani.