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Brasil 400 mil mortos neste 29 de abril / BRASILIA, BRAZIL - APRIL 27: A banner with the message 'Brazilians are dying' is displayed near the 400 crosses placed in honor of the almost 400,000 victims of coronavirus (COVID-19) pandemic at brazilian Congress on April 27, 2021 in Brasilia, Brazil. According to the last official reports, released on Monday 26, Brazil registers 391,936 victims of COVID-19. With an average of around 2,500 deceases per day, the country expects to reach 400,000 victims this week. Today, Brazilian Congress opened an inquiry into Bolsonaro's COVID handling. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Foco 30/04/2021

Brasil atinge 400 mil mortes por covid-19

Por : Diego Brito - Metro

Quatrocentos mil. Esse é o número de vidas que foram perdidas no Brasil para a covid-19 desde o início da pandemia, em março do ano passado. 400 mil filhos, pais, mães, avôs, avós, namorados e amigos se foram sem que a família pudesse ao menos se despedir das pessoas que amavam. 400 mil sonhos, entre eles, o de apenas viver, foram interrompidos por causa de um vírus mortal.

O país atingiu essa marca ontem, apenas 36 dias depois de ter alcançado o já terrível número de 300 mil óbitos no mês passado. O pouco espaço de tempo mostra o quanto a pandemia ainda está descontrolada no Brasil. O intervalo entre 200 mil e 300 mil mortes foi de 76 dias (veja ao lado). 

E em um país que o lockdown em nível nacional nem sequer foi cogitado pelo governo federal e que a única esperança de dias melhores é a vacina, o atual cenário é bem preocupante.

Um dos motivos é a escassez de imunizantes, que já é uma realidade no Brasil desde que a campanha de vacinação contra a covid-19 começou, no dia 17 de janeiro. De lá para cá, a aplicação da vacina foi paralisada por diversas vezes, incluindo capitais espalhadas pelo país.

Até quarta-feira, cidades de ao menos 18 estados haviam suspendido a segunda dose da CoronaVac porque os estoques tinham chegado ao fim. O Ministério da Saúde distribuiu 100 mil doses da vacina aos estados ontem. E dos 100 milhões de unidades do imunizante da Pfizer contratadas pela pasta, o primeiro lote, com apenas 1 milhão de doses, desembarcou no Brasil na noite ontem. O restante chegará de forma fracionada até o fim do ano.

Somente 7% da população brasileira recebeu  duas doses da vacina contra a covid-19 até o momento. Em números absolutos, são apenas 15 milhões imunizados. De acordo com o Ministério da Saúde, 31,1 milhões de pessoas tomaram a primeira dose, o que representa 14,7% dos brasileiros.

‘Reabertura precisa ser mais lenta e planejada’ 

Além da escassez de vacinas e da campanha de imunização em ritmo lento, outro ponto preocupa os especialistas da área da saúde: a flexibilização precipitada das medidas de restrição para conter o avanço do novo coronavírus antes de uma queda sustentada no número de casos, internações e mortes por covid-19.

Os dados dos últimos dias indicam que a queda das internações e mortes iniciada há três semanas já estagnou. O mais provável agora é que os índices se estabilizem em níveis elevados, com 2 mil a 3 mil mortes diárias, ou voltem a crescer, projeta o estatístico e pesquisador em saúde pública da Fiocruz Leonardo Bastos.

“Agora era a hora de segurar mais, fazer uma reabertura mais lenta e planejada. Esse aumento de mobilidade e contato entre as pessoas pode levar a uma manutenção do número de hospitalizações em um patamar super alto, o que é péssimo, porque sobrecarrega o sistema de saúde. Do jeito que está, a questão não é se vai acontecer uma nova onda, mas quando”, explicou o especialista.

O epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, também destaca que, mesmo com a queda de casos e mortes nas últimas três semanas, o Brasil está longe de vislumbrar um controle da pandemia.

“Houve arrefecimento do número de casos e mortes pelas medidas de distanciamento social realizadas às duras custas. No momento, o retorno às outras fases de distanciamento é preocupante, principalmente na próxima semana, com aumento da procura de lojas pelo Dia das Mães e, também, pela frequência maior de encontros sem a proteção necessária, como já aconteceu no Natal”, alertou.
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