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Foco 30/04/2021

Caos na Índia pode atrasar ainda mais vacinas de covid

A gravidade da segunda onda de covid-19 na Índia e o surgimento de novas variantes de coronavírus no país podem ameaçar todo o progresso global de enfrentamento à doença, afirmam autoridades sanitárias internacionais. 

O país registrou ontem mais um recorde mundial de novos infectados pela covid-19 em 24 horas. Foram 380 mil infecções e 3.645 mortes em um dia. Ao todo, a Índia já acumula 18,7 milhões de infectados – destes, mais de 2 milhões ainda estão ativos.

O país é peça importante no combate mundial à pandemia de covid-19, já que abriga o Instituto Sérum, responsável pela fabricação de doses do imunizante da AstraZeneca no Covax, consórcio de distribuição de vacinas da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Das 200 milhões de doses da vacina prometidas pela Índia, 28 milhões já foram entregues, mas as 90 milhões previstas para meados de abril podem atrasar meses e afetar diretamente o Brasil e a África do Sul.

Isso porque, com a explosão de casos indianos, parte da produção foi pausada e o governo tem usado suprimentos emergenciais para uso interno. “No momento em que a Índia está com falta de vacinas e mantém seus suprimentos para fins domésticos, isso significa que outros países como a África do Sul e o Brasil terão que esperar. Você está atrasando a vacinação no mundo por muitos meses”,  disse à CNN a pesquisadora Shruti Rajagopalan, da George Mason University.

A experiência, no entanto, mostrou a necessidade de diversificar a cadeia de abastecimento das doses, conta em reportagem a CNN.

Nesta semana, hospitais indianos começaram a recusar pacientes por falta de leitos e oxigênio e a população tem morrido sem atendimento hospitalar, relatam agências internacionais. Além disso, funcionários de crematórios reportam que agora os locais precisam ficar abertos 24 horas para dar conta da demanda.