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A dentista Mônica Pietro, 55 anos, começou a tomar vitamina D em cápsulas após exame de sangue identificar baixos índices em seu organismo. Desde então, ela nota aumento da disposição e da imunidade. “Tomo há cinco anos. Neste período não tive nem gripe”, conta.

Durante a pandemia, a ingestão dos comprimidos, que já era um hábito, virou obrigação. “Acredito que esta vitamina está ligada à maior resistência a infecções bacterianas e virais. Por isso, penso que ela pode evitar um quadro de covid-19 mais grave”, completa.

O engenheiro Humberto Dotto, 60 anos, também é do time dos suplementos. Além da vitamina D, ele ingere cápsulas da C e de Zinco diariamente há seis meses com o intuito de se prevenir contra o novo coronavírus. “Tomo parara melhorar a imunidade. Acredito que, se eu vier a me contaminar, terei sintomas mais leves por conta dessa conduta que venho adotando. O próprio cardiologista indicou o uso.”

A exemplo de Mônica e Humberto, muitos brasileiros têm recorrido aos suplementos vitamínicos neste período. Um levantamento realizado pela ePharma, startup de saúde com foco em assistência farmacêutica, gestão de saúde populacional e auxílio a programas de suporte ao paciente, revelou que houve aumento de 29% em um ano de prescrições para beneficiários de planos de medicamentos.

De acordo com a pesquisa, 20.622 unidades foram comercializadas entre janeiro e agosto de 2020, contra 16.037 no mesmo período do ano anterior Os Estados do Sudeste concentram 68% do montante total.

Contudo, há que se atentar para o risco da hipervitaminose, quadro em que a ingestão de altos níveis de vitaminas pode levar à intoxicação. “Dificilmente ela se dá pelo consumo excessivo de alimentos ricos em vitaminas. Na maioria dos casos é proveniente da ingestão indevida de suplementos alimentares”, afirma a nutricionista Nathália Rocha.

Os casos mais graves, segundo a especialista, são quando o paciente apresenta alto nível de vitamina A e D no organismo, uma vez que as demais costumam ser eliminadas pela urina.

Além disso, é importante lembrar que, pelo fato de a covid-19 ser uma doença nova e com poucos estudos, não se pode garantir que, de forma isolada, a suplementação de vitamina tem eficácia. “Alguns estudos atualmente parecem mostrar os benefícios da vitamina D para minimizar os efeitos mais graves da covid. E isso se deve pelo fato da resposta do sistema imunológico ficar mais fortalecido.”

Confira abaixo os benefícios e riscos da ingestão exagerada da principais vitaminas:

Pixabay/Divulgação

Vitamina A

Para que serve: Tem ação antioxidante e anti-inflamatória. Auxilia no combate a doenças virais e infecciosas. Alguns estudos recentes parecem mostrar que o uso de vitamina A de forma contínua (não suplementada) aumenta a resposta dos anticorpos para os indivíduos já vacinados.

Riscos: O consumo excessivo de vitamina A provoca queda de cabelo, lábios rachados, pele seca, enfraquecimento dos ossos, dores de cabeça e elevações dos níveis de cálcio no sangue.

Vitamina C

Para que serve: Tem ação antioxidante e um dos principais efeitos é a melhora da colágeno da pele. Age na barreira intestinal e melhora a resposta imunológica, já que a imunidade (que nascemos ou adquirimos ao longo da vida) é produzida no intestino.

Riscos: O excesso de vitamina C pode causar o efeito pró-oxidativo, elevando os níveis de radicais livres no corpo e, com isso, podendo levar a doenças.

Vitamina E

Para que serve: Também tem ação antioxidante e anti-inflamatória. Um dos benefícios mais falados é em relação ao crescimento de cabelo e melhora dos fios, mas também tem ação neurológica, melhorando a comunicação entre os neurônios.

Riscos: A hipervitaminose pela vitamina E é mais rara de acontecer, pois as dosagens precisam estar extremamente elevadas. Porém, caso ocorra, o sintoma mais preocupante é a hemorragia que demora a ser controlada e com isso, dependendo da pessoa, pode levar a óbito.

Vitamina D

Para que serve: Tem como principal ação a melhora do metabolismo de cálcio e, com isso, a prevenção de osteoporose. Também atua na barreira intestinal, melhorando as bactérias do intestino e auxiliando no sistema imunológico e em pessoas que sofrem transtornos psicológicos, como os depressivos.

Riscos: Grandes quantidades de vitamina D são necessárias para prevenir e melhorar algumas doenças auto-imunes, porém, na ausência desses males, se sua concentração ficar muito alta, passando de 100ng/mL, pode causar calcificação de órgãos importantes, como coração e rins e com isso a paralização do funcionamento.

Complexo B

Para que serve: As vitaminas do complexo B apresentam uma numeração e um nome específico. São elas: vitamina B1 (tiamina), vitamina B2 (riboflavina), vitamina B3 (niacina), vitamina B5 (ácido pantotênico), vitamina B6 (piridoxina), vitamina B7 (biotina), vitamina B9 (ácido fólico) e vitamina B12 (cobalamina). São importantes para uma boa saúde mental, pele, cabelos, melhora a digestão e absorção dos nutrientes, saúde gastrointestinal, melhora da conversão dos alimentos em energia e formação de células vermelhas.

Riscos: O excesso desse grupo de vitaminas pode levar a pessoa a ter reações alérgicas e alterações no baço. Também pode levar a vasodilatação periférica (se uma pessoa se cortar, pode ocasionar hemorragia), queda na frequência respiratória, convulsões e até levar ao óbito por paralisia respiratória.

Como saber a quantidade ideal

Nathália garante que a quantidade de vitaminas necessária é facilmente atingida com o consumo de uma alimentação colorida e equilibrada, com a presença de frutas, legumes e verduras.

“Para cada faixa etária e gênero temos uma recomendação diferente de cada vitamina. Para se saber ao certo seria importante um profissional para fazer esses cálculos. Mas, de maneira geral, é fácil: consumir de 3 a 4 frutas ao dia, legumes e verduras cozidas, além da salada no almoço e jantar, garantem um bom aporte”, afirma.

A nutricionista lembra que tudo em excesso faz mal, até mesmo água. “É sempre bom lembrar que, se a alimentação estiver adequada, com variedade de alimentos, a suplementação precisa ser avaliada por um profissional da saúde para não colocar em risco a vida de nenhum indivíduo.”