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/ Tuca Vieira/Folhapress
Foco 28/04/2021

Preços descontrolados pedem mais água no feijão

Por : Vanessa Selicani - Metro

Arroz, feijão, bife e batata frita, a combinação perfeita para inflação que já alcança em 12 meses 23,2% para o prato feito. Os ingredientes prediletos dos brasileiros são também aqueles que mais tiveram impacto da alta de preços que desde o início da pandemia afeta os alimentos como um todo.

Levantamento realizado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) mostra que, no acumulado de 12 meses encerrados em março, itens como arroz e feijão preto alcançam alta, respectivamente, de 60,8% e 69,1%. Entre as carnes, as bovinas subiram 27,2% e o frango, 13,9%. Quer economizar comendo ovos? Eles também subiram 10%. Acrescente na saladinha de acompanhamento mais 41,1% para cebola e 7,8% na alface. A batata frita, 19,4% mais cara. Situação melhor para os fãs de tomates, com queda de 24,6%. Nos 10 itens mais presentes nas refeições brasileiras listados pelos pesquisadores, a alta média foi de 23,2%.

O economista do FGV Ibre Matheus Peçanha explica que a desvalorização do real frente ao dólar foi o principal fator para a escalada de preços nos alimentos. “O câmbio facilitou e incentivou a exportação e acabou dificultando a importação. Isso desabastece o mercado interno e faz com que os preços subam.”

De acordo com o pesquisador, o impacto é maior em itens como arroz e feijão porque os grãos estão entre os produtos mais exportados pelos produtores.

“Tem outro fator que é a própria demanda por alimentos aumentando com mais pessoas em casa na pandemia. E quem recebe auxílio emergencial gasta quase 100% dessa renda com alimentos.”

Peçanha diz acreditar que muitas famílias têm dificuldade de substituir arroz e feijão, que, além de tradicionais na mesa, possuem alto valor nutricional.

Em setembro do ano passado, as associações de supermercados sugeriram aos consumidores trocarem o arroz por macarrão enquanto os preços estiverem altos, mas a ideia não decolou.

E se o brasileiro já sofre com a alta do PF, a notícia divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é que a próxima vítima será o café da manhã. A prévia da inflação para abril indica o pão francês 1,73% mais caro e o leite longa vida, 1,75%, em relação ao mês anterior.