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/ Fernando Frazão/Agência Brasil
Foco 27/04/2021

Combustíveis aceleram o custo de se viver em SP

Viver na Grande São Paulo está a cada mês mais caro, principalmente se em seu dia a dia é preciso abastecer o carro. O índice de custo de vida calculado pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) para a região mostra que desde junho os preços têm subido. Apesar de em fevereiro ter desacelerado, a taxa para março já é uma das maiores novamente em 12 meses. O custo de vida na comparação com fevereiro subiu para 1,09%. Entre janeiro e fevereiro, a taxa havia variado 0,9%.

Diferentemente do ano passado, em que os alimentos pesaram mais no bolso, quem assusta agora em 2021 são os combustíveis, mostra a pesquisa da FecomercioSP. Gasolina, diesel e gás de cozinha foram impactados no primeiro trimestre pela valorização do petróleo no mercado internacional, com alta acumulada de até 54%. O combustível ganhou fôlego com o avanço da vacinação no mundo e a perspectiva do mercado de que o consumo também se elevará. O etanol subiu na esteira do aumento do consumo após a elevação da gasolina.

A pesquisa mensal da FecomercioSP mostra que as famílias de classe média e baixa foram as que mais sentiram os impactos em março. Enquanto os domicílios com renda entre R$ 976 e R$ 1.464 (classes C, D e E) viram os custos de vida subirem 1,17%, as que recebiam mais de R$ 12,2 mil  foram impactadas em 0,90%. O assessor econômico da FecomercioSP, Guilherme Dietze, destaca que os combustíveis impactam as classes média e alta, que utilizam mais carros. Mas que os mais pobres também são impactados pelo aumento dos custos em habitação (1,64%) neste mês. O economista acredita que os próximos meses sejam de estabilidade. “Depois de um ano de pandemia, com dólar mais estável, as coisas tendem a amenizar um pouco. Mas os custos de vida ainda são altos porque os preços, incluindo os alimentos, se estabilizam em patamar elevado.” 

Durante o aumento dos alimentos, foram os pobres que sofreram mais. Estudo divulgado neste mês pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do Ministério da Economia,  indica que a tendência neste ano é que as classes médias e alta sejam mais afetadas, não só pelo impacto nos transportes como em reajustes previstos em serviços como escola e beleza. “A gente espera reaquecimento da economia a partir do segundo trimestre, com pressão mais intensa na inflação dos mais ricos”, disse a economista do Ipea, Maria Andréia Parente Lameiras.

Para o economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), Guilherme Moreira, assim como nos alimentos, o reajuste dos combustíveis também afeta os mais pobres. “São eles neste momento de pandemia que não podem ficar em home office e precisam se locomover nas cidades. O impacto do botijão de gás também é enorme”, pontua.