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Por falta de leitos, pacientes na Índia recebem oxigênio dentro de carros | Anidito Mukherjee/ Getty Images / Por falta de leitos, pacientes na Índia recebem oxigênio dentro de carros | Anidito Mukherjee/ Getty Images
Foco 27/04/2021

Índia e Brasil esperam por doação de doses dos EUA

Os Estados Unidos anunciaram ontem que enviarão cerca de 60 milhões de doses contra a covid-19 da AstraZeneca a outras nações depois que o imunizante passar por testes de segurança conduzidos pela FDA (agência sanitária do país). De acordo com o jornal americano The New York Times, o anúncio aconteceu depois de uma conversa entre o líder americano Joe Biden e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e sob intensa pressão de ajudar outras nações que enfrentam situações graves da pandemia.

Até o fechamento desta edição, o governo americano não havia especificado quais países devem receber as doses, mas há expectativa de que Índia e Brasil estejam entre os beneficiados. 

Apesar do otimismo do anúncio, a porta-voz da Casa Branca, Jen Pskai, afirmou que as doações não devem acontecer imediatamente. Os EUA possuem 10 milhões de doses do imunizante prontas, mas outros 50 milhões ainda devem passar por vários estágios de produção. Segundo o jornal The New York Times, a promessa de doações ainda deve ser levada com cautela, já que a fábrica responsável pela produção da AstraZeneca nos EUA passou recentemente por problemas de contaminação e, entre outubro e janeiro, milhões de doses da AstraZeneca e Johnson&Johnson foram descartadas.

Durante o final de semana, o governo norte-americano já teria prometido fornecer ao governo indiano kits para testes de diagnóstico rápido, além de equipamentos de proteção e respiradores para as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

O Reino Unido também promete entregar 600 equipamentos médicos à Índia, que incluem ventiladores e oxigênio. A primeira remessa está prevista para chegar hoje à Índia. Isto porque, no final de semana, diversos hospitais da capital Nova Déli postaram mensagens no Twitter apelando para suprimento de oxigênio. De acordo com autoridades locais, ao menos 20 pessoas morreram no sábado por falta da matéria-prima.

A situação indiana

A Índia bateu ontem, pelo quinto dia consecutivo, um novo recorde mundial de novos pacientes com covid-19 em 24 horas. Foram 352 mil infectados pelo vírus, seguido por 2,8 mil mortes em virtude da doença no mesmo período. A situação do país, que enfrenta uma segunda onda da pandemia de coronavírus, chamou atenção de autoridades de saúde internacionais. 

Para a OMS (Orgnização Mundial da Saúde), os índices indianos são “impressionantes” e “muito frágeis”, já que apresentam um “aumento exponencial”. Até o momento, a Índia acumula, de acordo com a OMS e a Universidade Johns Hopkins, nos EUA, 17 milhões de infectados e ao menos 197 mil vítimas fatais da covid-19. 

O que está por trás

De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal americano The New York Times, o cenário indiano pode ter sido motivado por três fatores principais: a mutação de cepas de coronavírus mais infecciosas, a falta de investimento na infraestrutura de saúde do país (apenas 1% do PIB – Produto Interno Bruto – da Índia é destinado ao setor), além de falhas políticas de governantes, que demoraram para tomar uma resposta efetiva contra a doença e relaxaram, em março, o distanciamento social.