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Na abertura do evento, comemorou-se o Dia da Terra. Em Seul, na Coréia do Sul, moradores expuseram o planeta doente / Marcos Corrêa/PRNa abertura do evento, comemorou-se
o Dia da Terra. Em Seul, na Coréia do Sul,
moradores expuseram o planeta doente / Marcos Corrêa/PR
Foco 23/04/2021

Brasil faz promessa ambiental ao mundo

Em evento cheio de simbolismos e promessas políticas para o futuro do meio ambiente, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou em conferência que ouviu o clamor do novo presidente americano, Joe Biden, e adotará medidas mais ambiciosas para a preservação da natureza. Entre elas, alcançar a neutralidade climática do Brasil até 2050, dez anos antes da promessa anterior.

Para alcançar o objetivo, Bolsonaro se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal no país até 2030, “com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal”. A medida, segundo o presidente, reduzirá em quase 50% as emissões de gases do efeito estufa do Brasil até o mesmo período.

A Amazônia foi um dos principais pontos abordados na conferência. Mesmo assim, o Brasil precisou esperar 1h30 na fila, já que era o 19º a se apresentar entre as 40 nações representadas.

Sobre a preservação ambiental, Bolsonaro afirmou está “na vanguarda na defesa do enfrentamento ao aquecimento global” e que o governo brasileiro “preserva o bioma amazônico”.

Entretanto, dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que, ano a ano, mais quilômetros da maior floresta do planeta são perdidos. Na região da Amazônia Legal, foram identificados 368 quilômetros quadrados de área desmatada no mês passado. Trata-se do maior volume registrado para março desde 2015.

Mais tarde, em outra sessão da Cúpula do Clima, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou que o Brasil apresentará na próxima semana um novo orçamento do governo para atingir as novas metas compartilhadas, mas não apresentou valores. “O presidente vai dobrar o recurso. Isso é importante porque dá apoio às equipes da Força Nacional.”

Emissário do presidente dos EUA [Joe Biden] para as questões do clima, John Kerry disse que os compromissos de Bolsonaro são bons, se forem cumpridos. “Alguns dos comentários que o presidente Bolsonaro fez hoje me surpreenderam. A questão é: eles vão fazer isso? E a questão é: qual é o acompanhamento e a aplicação?”.  

Emissões de carbono devem cair

Anfitrião da Cúpula do Clima entre Líderes, Joe Biden também anunciou durante o evento um compromisso ambiental: até 2030, os Estados Unidos devem reduzir suas emissões de carbono entre 50% e 52%. 

Os novos índices apresentados pelo líder americano são superiores aos apresentados pelo ex-presidente Barack Obama, em 2015, que prometeu reduzir as emissões em 26% até 2025. 

Agora, a meta americana está coordenada com o Acordo de Paris e segue a linha de manutenção do aquecimento global abaixo de 1,5ºC ao ano, limite imposto por especialistas. “Boas ideias e boas intenções não são o suficiente. Precisamos garantir financiamento”, ponderou o presidente Biden. 

Ainda falta confiança no Brasil

Embora o discurso de Bolsonaro tenha adotado um tom menos agressivo com países estrangeiros no tratamento da proteção ambiental, por si só, ele não é suficiente para gerar credibilidade ao governo. Isso porque o seu discurso não tem sido compatível com o histórico das suas ações nem com as medidas de planejamento em andamento. A incompatibilidade entre discurso e ação, tanto de Bolsonaro como de sua equipe, faz com que sua declaração seja vista com ceticismo e desconfiança.

Elaini Silva, professora de direito internacional na PUC-SP