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Com o registro de mais 2.027 mortes em decorrência da covid-19 ontem, o Brasil chegou a marca de 383.502 vidas perdidas pelo novo coronavírus. No entanto, a realidade do país poderia ser bem diferente nos dias de hoje. 

Segundo estudo realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com a Universidade de Michigan, dos Estados Unidos, o Brasil tinha todos os mecanismos necessários para lidar com a covid-19, mas as decisões e discursos do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), transformaram o combate à pandemia no país num “fracasso mundial”. 

A pesquisa divulgada ontem compila análises de cerca de 60 cientistas sobre as políticas públicas de controle da pandemia adotadas por 30 países de todos os continentes. Os resultados mostram que as nações que tiveram desempenho melhor durante a pandemia seguiram as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Os autores ressaltam no estudo que o Brasil era classificado como o país da América Latina mais preparado para lidar com emergências de saúde pública, segundo o sistema Global Health Security Index. A análise também mostra que o país contava com um sistema de vigilância em saúde bem desenvolvido e tinha um bom histórico com epidemia porque respondeu bem às da Aids, de hepatite C e do vírus influenza (H1N1).

No entanto, havia um governo federal no meio do caminho do combate à pandemia de covid-19. O estudo lembra que o presidente iniciou, em abril do ano passado, uma “campanha agressiva” em apoio ao uso da cloroquina, rémedio comprovadamente sem eficácia contra o coronavírus.

O texto também aponta que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello trocou técnicos por militares em cargos gerenciais importantes no Ministério da Saúde, “decisão duramente criticada pela comunidade da saúde pública”. Pazuello deve ser um dos investigados pela CPI da Covid-19, que será instalada definitivamente no Senado na próxima terça-feira.

O estudo conclui que Bolsonaro fez de tudo para negar o conhecimento científico e atrapalhar o combate à pandemia. O estrago causado pelo coronavírus no Brasil só não foi maior, segundo a pesquisa, porque o país tem uma infraestrutura de vigilância sanitária bem desenvolvida. A rede de atenção primária do SUS (Sistema Único de Saúde) foi apontada como essencial para amenizar o impacto da covid-19 no Brasil.

A atuação dos estados e prefeituras foi destacada como outro fator que ajudou a controlar o caos. O estudo diz que os governadores lideraram a resposta do Brasil à pandemia com medidas de isolamento social.