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/ MANAUS, AM, 28.09.2017 - Linha de produção de bicicletas da Caloi Norte S.A, localizada na avenida Abiurana, 150, Distrito Industrial, em Manaus (AM). (Foto: Marcio Melo/Folhapress) / MANAUS, AM, 28.09.2017 - Linha de produção de bicicletas da Caloi Norte S.A, localizada na avenida Abiurana, 150, Distrito Industrial, em Manaus (AM). (Foto: Marcio Melo/Folhapress)
Foco 22/04/2021

Expansão das bikes freia em limitação nas fábricas

Por : Vanessa Selicani - Metro

A busca por um meio de transporte mais barato, que permita fugir de aglomerações e ainda auxilie na melhora da qualidade de vida, fez decolar a venda de bicicletas no país durante a pandemia. Mas o bom momento das magrelas acabou esbarrando na limitação da produção brasileira, fortemente impactada por problemas para importar peças e a necessidade de realizar sucessivas paralisações nas fábricas de Manaus (AM) por conta da covid-19.

Os dados das duas maiores associações do setor ajudam a entender o descompasso. Enquanto a produção caiu 27% entre 2019 e 2020, as vendas cresceram 50% no período, com pico em julho de 118%, revelam Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas). 

Além da dificuldade de encontrar alguns modelos nas prateleiras, o consumidor se deparou com preços mais caros. Levantamento da consultoria  de mercado GfK aponta para valor médio 25% superior em 2020 em relação a 2019 no grande varejo. Passsou de R$ 730 para R$ 918. A Caloi, umas das maiores do setor, afirma que os preços foram impactados pela desvalorização do real e a inflação na matéria-prima.

Rodrigo Del Claro é CEO e fundador do clube para ciclistas Santuu, que oferece serviços como financiamento, seguro e manutenção. Ele conta que a empresa tem batido recordes de faturamento, mas que o humor do setor passa por constantes altos e baixos.
“No começo da pandemia, foi bem ruim porque veio o susto, lojas fechadas, ninguém sabendo o que fazer. Logo na sequência, as vendas cresceram forte, com faturamento recorde até setembro. E quando achávamos que agora era alta ao infinito, as bicicletas literalmente acabaram no mercado.” Ele explica que a situação tem se normalizado, mas ainda há dificuldade de encontrar modelos. “O consumidor antes escolhia que bike queria. Agora, precisa optar pelo que tem disponível.”

A previsão da Abraciclo é que a normalização venha até o terceiro trimestre, por volta de setembro. A produção em janeiro e fevereiro ainda enfrentou retração, de 3,2% em relação a 2020. O vice-presidente do segmento de bicicletas da entidade, Cyro Gazola, explica que o agravamento dos casos de coronavírus em Manaus, no início do ano, foi a principal causa da queda. “Todas as fábricas precisaram readequar turnos de produção.”

Mas é a falta de componentes e insumos que continua a ser o maior problema do setor. Cerca de 50% das peças de uma bicicleta são importadas, diz a associação. “A demanda por bicicletas cresceu no mundo todo e os fornecedores globais de componentes não conseguem atender aos nossos pedidos nem de outros países”, explica Gazola. 

A expectativa para este ano é de produção 12,8% superior a 2020, alcançando 750 mil bikes. Número ainda menor que as 919 mil fabricadas em 2019. “Nossa expectativa é que, com o tempo, as empresas consigam se organizar para suprir o mercado. Portanto, acredito que em 2021 vai haver crescimento [nas vendas], mas provavelmente não tão alto como poderia ser justamente por esta questão da falta de produtos”, analisa do presidente da Aliança Bike, Giancarlo Clini.

Negócio

Empreendimentos que oferecem serviços aos ciclistas também aceleraram na pandemia, engatados nas vendas das bicicletas. De acordo com o Sebrae, houve aumento de 26% na abertura deste tipo de negócio entre 2019 e 2020. Com acréscimo de 4,8 mil novas pequenas empresas, o setor alcançou total de 36 mil empreendimentos no ramo. O serviço de apoio às pequenas empresas alerta que, apesar do mercado aquecido, não é hora de elevar preços. “É necessário oferecer para o cliente coisas que vão agregar valor. O momento é de estabelecer uma relação de longo prazo”, afirma a analista do Sebrae Juliana Borges.