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Os filhos de Elaine agora estudam com o chip do Alô Social / Luccas Balacci/MetroOs filhos de Elaine agora estudam com o chip do Alô Social / Luccas Balacci/Metro
Foco 19/04/2021

Projeto leva internet para 150 mil famílias da periferia de São Paulo

Por : Diego Brito - Metro

Há mais de um ano, a mortal pandemia de covid-19 traz cada vez mais dificuldades para os brasileiros, principalmente para a parcela que mora nas periferias espalhadas pelo país. Se no início das contaminações o coronavírus acabou com a renda daqueles que moram nas favelas e trabalham de forma autônoma, logo depois atingiu as crianças das comunidades que não têm acesso à internet para acessar as aulas online.

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No segundo semestre de 2020, com as escolas ainda de portas fechadas e a educação a distância ganhando cada vez mais força, o fundador da Cufa (Central Única das Favelas), Celso Athayde, testemunhou a situação das crianças de Heliópolis, a maior favela da capital paulista. Elas não acessavam as aulas porque não tinham internet. Foi neste momento que Athayde teve a ideia de criar o Mães da Favela On. O projeto, em parceria com a empresa Alô Social, distribuiu 150 mil chips com rede móvel para famílias no estado de São Paulo. No Brasil, cerca de 500 mil lares foram beneficiados.

Segundo levantamento de março deste ano, do Instituto Data Favela, 25% das famílias que moram em comunidades vivem sob exclusão digital porque não possuem acesso à internet.

Athayde afirma que as mães escolhidas foram aquelas que já eram auxiliadas pela Cufa com entrega de cestas básicas e transferência de renda. “A gente já imaginava que as famílias que tinham dificuldade econômica também teriam dificuldade para acessar as aulas. Sem os chips, eles iam ficar para trás mais uma vez, agora na educação.”

Moradora de Heliópolis, a diarista Elaine Santos, de 33 anos, foi uma das beneficiadas pelo Mães da Favela On. De março de 2020, quando as escolas fecharam as portas, até setembro, mês em que ganhou o chip, ela teve de ser a professora dos filhos Kimberly, de 8 anos, e Wadnan, de 7. “Não tínhamos internet para eles assistirem as aulas. Eu fui a professora. Tentava me atualizar para ensinar eles, mas sem internet é difícil. O chip nos ajudou muito”, disse Elaine.