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Foco 15/04/2021

Três em cada dez jovens estão desempregados no Brasil

Os impactos da pandemia de covid-19 no mercado de trabalho foram mais intenso para os jovens, que devem ser os últimos a serem absorvidos com o reaquecimento da economia, revela análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), fundação vinculada ao Ministério da Economia, divulgada ontem.

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O estudo aponta que 29,8% da população entre 18 e 24 anos procurava por emprego no último trimestre de 2020. A desocupação é mais que o dobro da taxa geral para o período, de 13,9%. É como se, a cada dez jovens, três estivessem desempregados, o equivalente a cerca de 4 milhões de pessoas em início de carreira.

No quarto trimestre de 2019, a desocupação entre 18 e 24 anos era de 23,8%, aumento de seis pontos percentuais após a pandemia. A análise foi realizada utilizando dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A economista responsável pelo estudo, Maria Andréia Parente Lameiras, explica que o fechamento de estabelecimentos durante a pandemia foi um dos fatores que influenciaram os reflexos mais intensos entre os jovens. “A maioria deles tem baixa escolaridade e não possui experiência. Por isso, entram no mercado pelo comércio e serviços, setores que mais sofreram com a covid-19.”

Ela conta que chama a atenção também a grande quantidade dos que desistiram de procurar trabalho, seja por conta dos riscos de se expor durante a pandemia ou pela dificuldade de encontrar vaga. “Em outra situação, esse jovem sai do mercado para se aperfeiçoar até a economia voltar, mas sabemos que não é isso que está ocorrendo.”

A perspectiva para essa população é ainda ter dificuldade no mercado de trabalho neste ano. “Quando a economia voltar a se aquecer, os primeiros a terem oportunidade serão os com experiência e qualificação. Além de estarem no fim da fila, muita gente retornará ao mercado procurando postos. A taxa de desocupação deve ter queda apenas em 2022 para quem tem entre 18 e 24 anos”, explica Maria.

A economista afirma que a situação ruim no início de carreira pode prejudicar toda a vida profissional dos jovens. “Os efeitos são permanentes quando logo no começo não se tem estímulo para se desenvolver. Muitos jovens encontram apenas vagas com qualificação menor, e isso gera desânimo e queda da capacidade que não é desprezível para o futuro.”