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Foco 14/04/2021

Internação desacelera e registra queda de 17% em SP

Por : André Vieira - Metro

Encerrada no último domingo após quase um mês, a fase emergencial da quarentena em São Paulo começa a mostrar os seus primeiros sinais positivos com a redução das internações. As hospitalizações provocadas pela covid-19 estão em queda há 13 dias consecutivos no estado. Para autoridades, essa desaceleração já pode ser considerada uma consequência das medidas que impuseram restrições mais duras.

Segundo o SP Covid-19 Info Tracker, painel de monitoramento criado por pesquisadores das universidades da USP e Unesp, em 1º de março São Paulo tinha 16 mil pessoas internadas em enfermarias e UTIs por complicações do novo coronavírus.

Quando a fase emergencial foi iniciada, no dia 15, esse número já havia saltado para 24,3 mil e atingiu o pico do período no dia 27, com 31,3 mil internações. Na última segunda-feira – um dia depois do fim da fase emergencial e quatro semanas após o seu início –, o estado contava 25,9 mil internações – um número 17% menor se comparado ao pico.

A taxa de ocupação desses leitos também caiu: era de 65,5% no dia 1º, chegou a 81% no início da fase emergencial, bateu 86,9% e hoje está em 73,8%. A redução é de 13,1 pontos percentuais na comparação com o pico. Já a média móvel de novas internações teve queda de 24%.

“Isso mostra o impacto de controle da pandemia a partir do momento que você diminui a circulação de pessoas e, com ela, a circulação do vírus”, disse o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Durante a fase emergencial, o governo proibiu as competições esportivas, as missas e os cultos, criou toque de recolher e limitou até mesmo o drive-thru e a retirada para estabelecimentos que já estavam impedidos de receber clientes, como lojas e restaurantes.

Reflexo nos óbitos

Para Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), ainda que a taxa de isolamento não tenha subido muito, as restrições contribuíram para a queda nas internações, “principalmente porque não tivemos comércios, bares e restaurantes abertos”.

“Além disso, vivemos um período de quase esgotamento da doença, depois um pico muito alto. Isso acontece porque houve uma exposição muito grande de pessoas à covid-19, que provoca uma proteção transitória, mas com preço muito caro a se pagar, que foram os recordes de internações, casos e mortes.”

Segundo a infectologista, os óbitos também devem cair. “Esse é um reflexo mais tardio. Primeiro temos a redução dos casos que precisam de internação e só depois de duas ou mais semanas vemos a melhora na mortalidade.”