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Foco 14/04/2021

Depois de atingir mais pobres, inflação mira gastos dos ricos

Por : Vanessa Selicani - Metro

A nova disparada do preço dos combustíveis e a expectativa de altas nos valores de serviços prestados às famílias devem trazer mais impactos neste ano para o bolso dos mais ricos. No primeiro ano da pandemia, quem mais sofreu com a inflação foram as famílias pobres, que possuem grande fatia do orçamento comprometido pelos gastos com alimentação.

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A análise é feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), fundação vinculada ao Ministério da Economia. Enquanto a inflação acumulada entre janeiro e março deste ano ficou em 2,29% para os mais ricos, ela foi de 1,60% entre os mais pobres, divulgou ontem a instituição.

A taxa oficial medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA, faz a apuração para famílias de 1 a 40 salários mínimos (R$ 1,1 mil a R$ 44 mil). Neste recorte, a inflação oficial acumulada em três meses é de 2,05%. O instituto mede também o INPC, para renda domiciliar entre 1 a 5 salários mínimos (R$ 1,1 mil a R$ 5,5 mil), acumulada em 2021 em 1,96%.

O cálculo do Ipea aborda os impactos dos preços levando em conta os hábitos de consumo de seis faixas de renda diferentes, dando retrato mais fiel de acordo com cada perfil. “Uma família muito pobre, por exemplo, gasta praticamente seu orçamento com quatro itens: comida, transporte público, energia elétrica e outras despesas no domicílio, em que entram gás e aluguel. Já a família de renda mais alta consome ida ao cabeleireiro, pacote turístico, plano de saúde, colégio particular”, explica a economista do Ipea Maria Andréia Parente Lameiras.

Por conta dessas diferenças, o aumento expressivo dos valores dos alimentos impactaram em mais despesas aos de renda mais baixa no ano passado, enquanto os mais ricos tiveram alívios com descontos em mensalidades e a impossibilidade de frequentar espaços como cinemas e salões de beleza. “Foi um desastre para as famílias mais pobres, que também foram as mais impactadas com redução de renda durante a pandemia. Só não foi pior por conta do auxílio emergencial. Para os mais ricos, houve a possibilidade até de fazer poupança por ficar mais em casa com o isolamento”, diz a economista.

Mas a tendência neste ano é de inversão deste cenário com a alta nos combustíveis, puxada pela valorização do petróleo no mercado internacional. Maria acrescenta também a previsão de aumento em serviços como as mensalidades escolares. “Muitos setores não têm mais condições de manter descontos também neste ano. A gente espera reaquecimento da economia a partir do segundo trimestre, com pressão mais intensa na inflação dos mais ricos em 2021.”

Para o orçamento dos mais pobres, a economista do Ipea explica que os alimentos devem desacelerar, mas que a nova rodada de pagamento do auxílio emergencial manterá alguma pressão na inflação.