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Nenhum outro produto subiu mais que o etanol no mês passado. De acordo com levantamento do IBGE, instituto brasileiro que mede oficialmente a inflação no país, a alta foi de 12,59% em relação a fevereiro.

Ela supera o crescimento em combustíveis fortemente impactos pelo petróleo, como a gasolina (11,26%) e óleo diesel (9,05%). Os três estão entre os maiores responsáveis pela aceleração em de 0,93% da inflação no período, a maior desde 2015 para o mês. Junta-se a eles o gás de botijão (4,98%).

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Apesar de não estar atrelado à política de preços da Petrobras, que tem elevado diesel, gasolina e GLP (o gás de cozinha) ao acompanhar o preço internacional do barril de petróleo, o etanol também acaba surfando na mesma onda. Isto porque a procura pelo combustível aumenta com a alta na gasolina. Outro fator que impactou o preço é a entressafra da cana-de açúcar, principal matéria-prima do combustível, explica o diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues.

“O crescimento da demanda das distribuidoras e do consumidor, em plena entressafra, pressionou os preços do etanol. A alta da gasolina gera uma maior procura do etanol, o que resulta em maior precificação. Mas a partir de meados de março, as medidas de isolamento social e as perspectivas de antecipação e início da nova safra de cana no Centro-Sul desencadearam uma trajetória de queda dos preços no produtor”, antecipa o economista sobre possíveis reduções neste mês.

O repasse às bombas, porém, depende da política de preços das distribuidoras, diz Rodrigues. De acordo com dados divulgados pela Unica, a queda no valor cobrado pelos produtores não tem acompanhado na mesma proporção o preço nos postos.

A diferença de R$ 0,20 (R$ 3,504 no produtor e R$ 3,775 o litro na bomba) no início de março já alcança nas primeiras semanas de abril R$ 0,80 (R$ 2,822 e R$ 3,658, respectivamente).

André Brunetta, CEO da autoTech Zul+, também acredita em queda neste mês. “No Brasil, o período de maior produtividade das plantações de cana são entre abril e novembro. Entre os meses de dezembro e março, a produção é mais baixa. Logo, há menos matéria-prima para a produção de etanol”, explica.

O economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) Guilherme Moreira lembra que, assim como nos alimentos, quem mais sente no orçamento o reajuste dos combustíveis são as famílias mais pobres. “São elas neste momento de pandemia que não podem ficar em home office e precisam se locomover nas cidades. O impacto do botijão de gás também é enorme. É uma tragédia sem proporções.”

Ele afirma ainda que a desvalorização do real frente ao dólar tem sido outro fator decisivo no avanço da inflação. “Temos que lembrar que a cana é um produto agrícola, que passa por bom momento para exportações por conta da alta do dólar.”