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Presidente também afirmou que pandemia está sendo utilizada de forma política para derrubá-lo / Liamara Polli/FolhapressPresidente também afirmou que pandemia está sendo utilizada de forma política para derrubá-lo / Liamara Polli/Folhapress
Foco 08/04/2021

Após 4 mil mortes em 24h, Bolsonaro ataca isolamento

Um dia depois de o Brasil registrar pela primeira vez mais de 4 mil mortes em decorrência da covid-19 em apenas 24 horas, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), atacou novamente o isolamento social ontem e defendeu a autonomia de médicos na prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus.

Bolsonaro visitou a cidade de Chapecó (SC), município que utilizou alguns destes remédios, como cloroquina, no chamado “tratamento precoce” em pacientes com covid-19. No entanto, casos, internações e mortes começaram a cair após aumento das restrições de circulação na cidade. Mesmo assim, Bolsonaro elogiou a utilização dos remédios antes da viagem.

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Durante a visita ao Centro de Atendimento Avançado do município, o presidente afirmou que “não haverá lockdown” no Brasil. A cidade de Araraquara (SP), por exemplo, registrou dois dias sem mortes por covid-19 após “fechamento total” por 10 dias.

“Vamos buscar alternativas, não vamos aceitar a política do fique em casa, feche tudo, lockdown. O vírus não vai embora. Esse vírus, como outros, vieram para ficar, e vão ficar a vida toda. É praticamente impossível erradicá-lo”, afirmou o presidente.

Na tentativa de validar o discurso de utilização de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus, Bolsonaro defendeu a autonomia dos médicos: “Não podemos admitir impor limites ao médico. Se o médico não quer receitar aquele medicamento, que não receite […] hoje, têm aparecido medicamentos que ainda não estão comprovados, que estão sendo testados, e o médico tem essa liberdade. Tem que ter. É um crime tolher a liberdade de um profissional da saúde.”

No mesmo dia da visita de Bolsonaro à Chapecó, manifestantes fizeram um protesto contra o presidente em Florianópolis, capital do estado. Cruzes foram colocadas em frente à uma igreja em homenagem aos mais de 340 mil mortos. O grupo também pediu por mais vacinas.

E os ataques de Bolsonaro à pandemia não pararam em Santa Catarina. No final da tarde, em Foz do Iguaçu (PR), ele afirmou que a crise sanitária é utilizada de forma política. “Não vamos chorar o leite derramado. Estamos passando ainda por uma pandemia, que em parte é usada politicamente não para derrotar o vírus, mas para tentar derrubar o presidente”, disse.