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Foco 06/04/2021

Hora de rever velhos conceitos sobre telas e infância

Jornalista americana e autora do livro “The Art of Screen Time” (A arte do tempo de tela, em tradução livre), Anya Kamenetz se tornou uma referência para pais em busca de conselhos quanto aos excessos de uso de tecnologia pelos filhos.

Porém, ela conta que a pandemia do novo coronavírus a fez rever seus conceitos depois que passou a trabalhar de casa em tempo integral, junto com o marido, tendo que cuidar das duas filhas em idade pré-escolar e dos afazeres domésticos, sem ajuda de terceiros.

“Uma consequência imediata da pandemia é que limites rígidos de tempo de tela — que, em geral, existiam em famílias mais privilegiadas, como a minha — caíram por terra”, diz Anya. Veja algumas de suas recomendações para os tempos atuais.

Valorize as interações.
A jornalista resgata uma frase de Ken Perlin, Ph.D., professor de ciência da computação que dirige o Laboratório de Realidade do Futuro na Universidade de Nova York: “Tudo o que importa é o que está acontecendo entre mim e outra pessoa. Qualquer meio que enriquece é bem-sucedido. Qualquer meio que substitua isso é um fracasso.” Anye diz que, na prática, isso significa investir em chats de vídeo e interações em tempo real. Jogos, TV e vídeos para toda a família também são bem-vindos.

Reduza e repare, não elimine.
“A redução de danos é uma abordagem para a saúde pública que reconhece que evitar totalmente o risco ou perigo pode ser impossível. Este deve ser o nosso mantra agora, porque estamos em uma crise global”, ressalta Anya.

Concentre-se nos sentimentos, não nas telas.
“O que passei a perceber com clareza nestes tempos sombrios e ansiosos é que muitos dos nossos problemas ‘com a tecnologia’ não emanam das telas às quais nossos filhos estão colados, mas da ruptura e alienação que se insinua em nossos próprios relacionamentos ao permitirmos que nossas experiências e emoções difíceis sejam mediadas, entorpecidas, turvas, pela mídia. O telefone é como um pirulito de fentanil (usado para dor forte e em anestesias); sim, é possível abusar, mas nossa dor, e a enorme dor do mundo que nos leva a isso, é indiscutivelmente o problema real”, conclui a jornalista.


A cangurunews.com.br é uma plataforma de conteúdo sobre infância para mães, pais, avós, cuidadores e educadores. A Canguru no Metro é publicada todas as terças-feiras, sempre neste espaço.