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O Brasil alcançou um número recorde de pessoas em busca de emprego no trimestre encerrado em janeiro – contando com novembro e dezembro de 2020. A taxa de desemprego subiu a 14,2%, pior resultado para o período dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Em números absolutos, isso significa que 14.272 milhões de brasileiros estavam desempregados no ápice do recorte, que aponta 2.359 milhões de pessoas a mais nessa condição em relação ao mesmo período de 2020. Em um ano, 8,126 milhões de trabalhadores perderam seus postos no mercado de trabalho.

A pesquisa mostra, ainda, que falta trabalho para 32.380 milhões de pessoas, incluindo outros grupos, como um montante também recorde de 5,902 milhões de desalentados, que são pessoas que gostariam de trabalhar, mas que não buscam por uma vaga por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade.

Se todas as pessoas aptas a trabalhar buscassem  emprego, a taxa de desocupação poderia saltar para cerca de 20%, explica o economista-chefe da gestora de recursos AZ Quest, André Muller. Por ora, os resultados sugerem que algumas pessoas voltaram a procurar uma vaga, dado o momento em que a atividade econômica continuou funcionando. “Os dados refletem um período de atividade relativamente forte, com reabertura acontecendo no país, principalmente em janeiro, exceto em Manaus”, avaliou Muller.

Analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy ressaltou que a taxa de desemprego registrada no trimestre terminado em janeiro carrega forte influência da geração de vagas observada nos últimos dois meses de 2020: “Tem dois terços deste trimestre que ainda estão ancorados lá no fim do ano passado, que foi um momento em que houve reação importante do mercado de trabalho. Não temos ainda informação do trimestre encerrado em março, momento que a gente sabe que está havendo mais restrição e o quanto isso reflete no lado econômico.”

De acordo com a pesquisadora, o levantamento retrata ainda um momento anterior ao cancelamento do carnaval em várias cidades brasileiras e também ao endurecimento das medidas restritivas decretadas por governos locais em março para combater a disseminação da covid-19.