logo

O governo de São Paulo começou a distribuir na quarta-feira (31) dois mil cilindros para oxigênio medicinal que foram comprados de forma emergencial para socorrer municípios onde pode, literalmente, faltar ar para os pacientes internados com covid-19.

Ao menos 120 cidades paulistas estão em situação considerada crítica e podem sofrer com a falta do produto por conta da alta da demanda provocada pelo aumento nas internações.

QUER RECEBER A EDIÇÃO DIGITAL DO METRO JORNAL TODAS AS MANHÃS POR E-MAIL? É DE GRAÇA! BASTA SE INSCREVER AQUI.

O estado também está importando mil concentradores de oxigênio dos EUA, que são equipamentos menores e utilizados de apoio para pacientes com quadro de saúde menos grave.

Além das compras, o governo anunciou semana passada a montagem de usina de oxigênio em Ribeirão Preto, com apoio da iniciativa privada, e que deverá começar a operar neste mês.

Segundo o Conselho de Secretários Municipais de Saúde de São Paulo, as cidades que estão em situação crítica “não estão conseguindo reabastecer [os cilindros] em tempo hábil ou não possuem estoque ou cilindros extras”.

No auge da primeira onda, em julho passado, São Paulo chegou a ter 6.250 pacientes em UTIs. Hoje, são 12.975, mais do que o dobro.

O governador João Doria (PSDB) reafirmou ontem que “não falta nem faltará” oxigênio, mas o próprio estado admite que podem ocorrer problemas pontuais de desabastecimento.

A escassez pode afetar, sobretudo, as cidades pequenas e os hospitais adaptados, que não possuem estruturas de armazenamento e precisam reabastecer cilindros continuamente.

Mas isso não livra as maiores cidades. A capital – que ontem inaugurou a primeira das suas 19 miniusinas de oxigênio – já precisou fazer transferência às pressas de pacientes de unidades na zona leste, que tiveram problemas de abastecimento.

Capital tem insumos de intubação só para 10 dias

Enquanto os hospitais privados se unem em consórcio para comprar medicamentos para intubação e evitar o desabastecimento, a Prefeitura de São Paulo alerta para a possibilidade de faltar insumos também na rede pública municipal.

Secretário-adjunto da Secretaria da Saúde, Luiz Carlos Zamarco disse ontem que o estoque disponível hoje no município é suficiente para garantir o atendimento por apenas mais dez dias.

Zamarco, no entanto, minimizou a chance de faltar insumos, uma vez que a prefeitura já fez novas aquisições, que deverão ser entregues nos próximos dias. “Se todas as nossas compras forem entregues pelos fornecedores, não teremos problemas de abastecimento.”

Em função da alta demanda provocada pela covid-19, os medicamentos do chamado “kit intubação”, como anestésicos e relaxantes musculares, estão ficando mais escassos em todo o país. Como forma de aumentar a oferta interna, a Anvisa determinou ontem que as empresas nacionais só poderão exportar medicamentos do kit com autorização prévia da agência.