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Contaminação de jogadores foi parecida com médicos que tratam de covid, diz estudo

Risco de contaminação de atletas é alto, diz estudo

A incidência de atletas da Federação Paulista de Futebol (FPF) contaminados com o novo coronavírus no ano passado foi de 11,7%, equivalente a de profissionais que atuam na linha de frente contra a pandemia, revelou um estudo da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo noticiou o site da Fapesp, o estudo analisou quase 30 mil testes de RT-PCR aplicados em 4.269 atletas durante oito torneios, seis masculinos e dois femininos, entre eles a Taça Paulista, Campeonato Paulista e Sub-23.  Quinhentos e um exames deram positivos para SARS-Cov-2.

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Na equipe técnica, dos 2.231 exames analisados, 161 também deram resultado positivo.

 “É uma taxa de ataque bem superior à observada em outros países. Na liga dinamarquesa de futebol, por exemplo, foram quatro resultados positivos entre 748 atletas testados [0,5%]. Na Bundesliga [da Alemanha], foram oito casos entre 1.702 jogadores[0,6%].

Comparados aos outros casos de que se tem registro, portanto, nossos jogadores se infectaram entre três e 24 vezes mais”,  disse o professor  da Faculdade de Medicina (FM-USP) e coordenador da pesquisa, Bruno Gualano.

Embora tenha registrado número de casos bem inferior ao dos atletas, os casos da equipe técnica (treinadores, roupeiros, dirigentes e profissionais de saúde) se mostraram mais graves, já que se trata de um público com mais idade e condições de saúde diversas.

Entretanto, os dados indicam que o atleta tende a desenvolver apenas sintomas leves ou serem assintomáticos, mas são vetores perigosos da doença, já que têm vida social muito ativa.

O estudo aposta ainda que alguns times foram mais afetados que outro, sendo que um deles teve 36 casos positivos, sete tiveram mais de 20 casos confirmados e 19 registraram 10 ou mais casos.

Esses casos, indica o estudo, estariam ligados  à quebra dos protocolos de isolamento e cuidados contra a covid-19.

CAMPEONATO PAULISTA X COVID-19

A retomada do Campeonato Paulista, que está sendo disputado na cidade de Volta Redonda, no Rio, para driblar as regras de isolamento impostas pelo governo paulista diante do crescimento da pandemia no estado, é vista como perigosa pelos pesquisadores.  

“Enquanto a transmissão da COVID-19 não for mitigada, qualquer setor que reabra representa um risco elevado de contágio. A única alternativa segura seria isolar completamente o futebol dentro de uma bolha, como fez a NBA [Associação Nacional de Basquete, dos Estados Unidos], a um custo de US$ 170 milhões. Ou fecha ou isola”, disse Gualano.

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