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Descobertas recentes sobre o potencial das novas variantes de coronavírus colocam o mundo em alerta. A diretora do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças Infecciosas) dos Estados Unidos, Rochelle Walensky, disse ontem que as novas cepas possuem potencial para causar uma quarta onda de casos da doença e minar o progresso de combate ao vírus feito até então. Na semana passada, cerca de 70 mil novos casos foram registrados por dia no país, o que para Walensky é um “número muito alto”.

Dados iniciais da variante brasileira, a chamada P.1 e identificada pela primeira vez no estado do Amazonas, mostram que a nova mutação do vírus é até 2,2 vezes mais contagiosa e tem potencial de driblar em até 61% a imunidade de indivíduos previamente expostos ao coronavírus. Os dados são compilados por cientistas do CADDE (Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus).

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“Por favor, ouçam bem: com este nível de casos, com as variantes se espalhando, podemos botar a perder completamente os avanços que tivemos após tanto esforço”, declarou Walensky ao alertar que as variantes são uma “ameaça real” ao povo norte-americano e ao progresso de combate à doença no país.

Existem inúmeras mutações do coronavírus Sars-Cov-2 espalhadas pelo mundo. No entanto, três delas são mais contagiosas e têm preocupado pesquisadores, como as detectadas previamente na África do Sul, Reino Unido e Brasil.  Segundo cientistas, elas apresentam alterações na proteína spike, responsável por conectar o vírus nas células humanas.

Pesquisadores brasileiros da Fiocruz já associam a nova cepa de Manaus à segunda onda da covid-19 no país. Ao analisarem amostras do vírus em diferentes períodos, observaram que, em 2020, as variantes de coronavírus predominantes foram as B.1.195 e B.1.138. Já na segunda onda, a P.1 é o vírus principal entre os infectados – adultos de 18 a 59 anos infectados pela  P.1 apresentam até dez vezes mais carga viral.

Ao concluir o artigo, cientistas ainda fazem alerta para o surgimento de novas cepas. “A fraca adoção de intervenções não farmacêuticas, como ocorreu no Amazonas e outros estados brasileiros, representa um risco significativo para o contínuo surgimento e disseminação de novas variantes.”  

O que sabemos sobre a variante brasileira?

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A P.1 provavelmente emergiu em Manaus, no Amazonas, em meados de novembro de 2020, cerca de um mês antes do número de internações por síndrome respiratória aguda grave dar um salto na cidade

2

A equipe do CADDE calcula que a variante de Manaus seja entre  1,4 e 2,2 mais transmissível que as linhagens anteriores

3

Cientistas estimam ainda que parte dos indivíduos já infectados anteriormente pela covid-19 podem se reinfectar com a P.1 em índices entre 25% e 61%

4 A P.1 apresenta 17 mutações, sendo dez na proteína spike – usada pelo vírus para se conectar nas células humanas

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As mutações surgem por seleção natural ao se sobressair às linhagens anteriores. A P.1, por exemplo, descende da cepa B.1.128, idenficada em Manaus em março de 2020